A Dinamarca não parece estar preocupada em parar o Brasil. Nem mesmo o craque Ronaldinho. O técnico Bo Johansson e seus jogadores prometem um futebol ofensivo, a exemplo do apresentado na goleada por 4 a 1 contra a Nigéria, pelas oitavas-de-final. ‘‘Não vamos mudar nossa maneira de jogar, mesmo que o adversário tenha características diferentes das dos nigerianos’’, afirma Johansson. A formação deve ser mantida também. ‘‘Vamos jogar sem medo do Brasil’’, promete o jovem meia Martin Jorgensen. ‘‘Se perdermos o jogo, não haverá problema algum.’’
Os dinamarqueses garantem que não acontecerá marcação especial em Ronaldinho. ‘‘Não estamos acostumados a fazer isso’’, explica o treinador. A Dinamarca faz marcação por zona. O ponto fraco da equipe é o lateral-direito Soren Colding, veloz nas subidas ao ataque, mas deficiente na marcação. O ex-titular, Jacob Laursen, foi para o banco de reservas por estar ainda em pior fase.
O mais importante, porém, é que os jogadores jogam muitos próximos um do outro, tornando mais fácil o toque de bola. Michael Laudrup, de 34 anos, que vai abandonar o futebol depois do Mundial, é o cérebro da equipe. Movimenta-se bastante pelo meio-de-campo apesar da idade. No gol, o time conta com a experiência de Peter Schmeichel, considerado o ‘‘melhor goleiro do mundo’’ pelo treinador. ‘‘Para vencermos um time como o Brasil precisamos de um goleiro como ele’’, diz.
Sem obrigação de vencer e à vontade em campo, os dinamarqueses, já satisfeitos por terem chegado às quartas-de-final, levam tudo com bom humor. Perguntado se conhecia bem os adversários, na entrevista coletiva de ontem, em Nantes, Bo Johansson brincou. ‘‘Estudei o Brasil durante cinco minutos’’, disse. ‘‘Talvez veja mais alguma coisa esta noite’’.
O treinador dinamarquês garante que não tem segredos para vencer o Brasil. Martin Jorgensen tem a fórmula para não perder. Ele lembrou a partida dos brasileiros contra os chilenos pelas oitavas-de-final e ressalta que a atenção será fundamental: ‘‘O Chile sofreu um gol nos primeiros dez minutos de jogo e isso não pode acontecer com nosso time.’’
Os dinamarqueses falam em confiança e esperam novamente proporcionar uma surpresa agradável a seus torcedores, a exemplo da Copa do México, em 1986; e da conquista da Eurocopa, em 1992. ‘‘Não pensamos em ganhar a Copa, mas pensamos em ganhar do Brasil’’, resume Brian Laudrup. O irmão Michael quer adiar a despedida dos gramados. E deixar o adeus em Nantes para o brasileiro Dunga.

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