Hamelin - França e Itália têm camisa, tradição, grandes ligas, clubes milionários e estádios modernos. Duas potências do futebol europeu fazendo a final da Copa do Mundo amanhã, às 15 horas (de Brasília), no Estádio Olímpico de Berlim. Um duelo que tinha tudo para ser equilibrado, não fosse um gênio solitário comandando o meio-campo francês. Quem tem Zidane pode ser dar ao luxo de provocar. ''Nós temos Zidane. A Itália, não'', resumiu ontem o lateral-direito Sagnol.
A magia do craque à beira da aposentadoria pode ser o diferencial numa partida de duas sólidas defesas. De um lado, Thuram, Gallas, Vieira e Makelele. Do outro, Cannavaro, Nesta, Gattuso e Pirlo. Isso sem falar na presença debaixo das traves do campeão mundial Barthez e do excelente Buffon, cotado até para ser o melhor da Copa. ''Vai ser muito difícil para a França fazer um gol na Itália. Mas a recíproca também é verdadeira'', completou o camisa 19 dos Bleus.
Quando o assunto é dar combate ao adversário, até o maestro vive momentos de carregador de piano. Zidane e Thierry Henry são figuras importantes no primeiro combate da França. ''Levou um tempo para os atacantes aceitarem a idéia de ajudarem na marcação'', admite o atacante Govou. ''Defender-se bem é fundamental e será uma decisão muito fechada, com poucos espaços''.
Bota fechada nisso. No esquema tático de Raymond Domenech, os laterais apóiam pouco e a defesa tem sempre a proteção dos dois volantes. ''É muito difícil fazer um gol na França'', afirmou Thuram após a vitória sobre Portugal, pelas semifinais.
Espanha e Brasil que o digam. Mas em termos de eficiência defensiva, a Itália também fala com autoridade. Levou apenas um gol até agora na Copa e mesmo assim contra, no empate com os EUA em 1 a 1. Já os franceses levaram apenas dois, contra Coréia do Sul (1 a 1) e Espanha (3 a 1). Nem o quadrado mágico de Parreira foi capaz de superar o bloqueio francês.
''Temos nosso bloqueio defensivo, que começa lá na frente, com Zidane e Henry. Eles se sacrificam, mas tomara que a recompensa chegue na final'', avaliou Sagnol, enaltecendo também a marcação italiana. ''A Itália tem um estilo de jogo que vem de décadas, com uma defesa sempre forte. Chegar à área deles será a nossa maior dificuldade''.
Govou tem sido uma das armas dos franceses para ligar contra-ataques e abrir defesas no segundo tempo dos jogos. As mudanças de Domenech na fase decisiva têm sido quase automáticas: se a França está ganhando, Govou e Wiltord entram para aproveitar os espaços do rival que sai em desespero. Nos minutos finais, Saha entra para garantir a firmeza que o meio-campo exige. Na final, porém, o treinador terá de buscar outra alternativa. Saha levou o segundo cartão amarelo contra Portugal e é o único desfalque certo na decisão.
Embora os problemas de ambiente não sejam uma novidade na França, os jogadores afirmam que o momento é de superar desavenças em nome de um objetivo comum. ''Já tivemos discussões, cada um tem o direito de dizer o que quiser. Mas não há panelas de dois ou três, como dizem. Todos os jogadores estão voltados para o mesmo objetivo. A final está acima de qualquer vaidade'', definiu Sagnol.
A França treinou ontem à tarde, em Aerzen, cidade próxima a Hamelin. Apenas um trabalho leve que não contou com Vieira, Barthez, Sagnol, Malouda e Ribery. Os cinco ficaram no castelo de Munchhausen, concentração da França, fazendo exercícios na bicicleta ergométrica.
Hoje à tarde, a seleção faria treino de reconhecimento do Estádio Olímpico de Berlim, mas a atividade foi cancelada pela Fifa, por causa das chuvas na capital alemã. A atividade está mantida, mas será em outro estádio. Uma final como a de amanhã merece um palco em perfeitas condições.

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