Zurique, Suíça - O presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi reeleito ontem para um novo mandato que vai durar até 2015. Assim, ele ficará 17 anos à frente da entidade.
Sem a presença de Bin Hammam e Jack Warner, ambos membros do Comitê Executivo suspensos, Blatter foi eleito por grande maioria em votação secreta com 186 votos. Houve um total de 203 votos - o restante foi nulo ou branco.
''Gostaria de agradecer pela confiança. Agradeço do fundo do meu coração. Juntos teremos mais quatro anos, providos por Deus que me deu a vida, a energia e a força para continuar no caminho, fazendo nosso trabalho. Estou feliz que fomos aptos a trazer a Fifa à solidariedade, unidade, que nos possibilitou, com coragem suficiente e pensamentos positivos, caminhar em frente. Nós vamos recolocar o nosso navio no curso certo, em águas claras, transparentes. Precisaremos de algum tempo, não podemos fazer isso de um dia para o outro, mas a nossa pirâmide está intacta, porque sua fundação é sólida, tão sólida quanto o nosso jogo'', discursou Blatter, logo após o anúncio de sua vitória.
Blatter, que chegou ao comando da Fifa em 1998, poderá se tornar o terceiro presidente a permanecer por mais tempo no cargo. Jules Rimet, inventor da Copa do Mundo ficou por 33 anos (1921-1954); e o brasileiro João Havelange, por 24 (de 1974 até 1998).
Reformas
Antes mesmo da eleição, Blatter tinha anunciado que fará reformas na entidade para combater os escândalos de corrupção. A principal delas é a conceder o poder de escolher as Copas do Mundo para todo o congresso composto por 208 federações nacionais. Atualmente, apenas o Comitê Executivo pode escolher esse item. O processo de decisão de dar os Mundiais de 2018 e 2022 para Rússia e Qatar, respectivamente, também foi cercado de denúncias de compra de votos.
Outra proposta é também dar ao congresso da Fifa, com todos esses dirigentes, o direito de nomear o Comitê de Ética, que fiscalizará os membros da entidade. Foi esse grupo quem decidiu pela suspensão do opositor Mohammed bin Hammam, além de outros três membros do Comitê Executivo desde dezembro de 2010.
Atualmente, é o próprio Blatter quem escolhe esses membros, com aprovação do Comitê Executivo. Isso gerou questionamento de Bin Hammam de que o processo foi manipulado.
Uma terceira proposta do dirigente é criar um comitê para soluções de governança da Fifa. Seria composto por pessoas de dentro da entidade, personalidades, que lidariam com alegações e críticas contra a entidade.
''Entrou água no barco. O barco enfrenta dificuldade. Por isso, precisamos um líder. Eu quero fazer isso. Reformas serão feitas, não só ajustes, mas radicais. As reformas necessárias. Precisamos fazer algo porque não quero que, eu, que nós enfrentemos uma situação como essa sem dignidade'', discurso Blatter em relação às denúncias de compra e vendas de votos na eleição da entidade e na escolha do Mundial.
A reforma mais relevante em relação à votação da Copa já era conhecida pois fora proposta por Blatter durante a campanha.
O total do pacote, no entanto, é bem mais tímido do que as mudanças feitas pelo COI após os casos de compra de votos na escolha de Salt Lake City para sede da Olimpíada de Inverno, que estourou em 1999. Na ocasião, houve expulsão de dez membros, mudança no sistema de votação das sedes e também na regulamentação do processo.

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