São Paulo - Um dia após enviar carta ao governo brasileiro em que pediu desculpas pela polêmica envolvendo seu secretário-geral, Jérôme Valcke, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou vislumbrar uma Copa-2014 ''extraordinária'', mas disse existir uma questão política a resolver no Brasil.
''Os estádios estarão prontos, não há nenhum problema. Há pessoas que ainda colocam o Mundial em dúvida, mas se esquecem que o Brasil é hoje a sexta potência do mundo e, para 2014, estima-se que será a quinta'', declarou o dirigente ao site da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol).
''Existe ainda um pequeno problema referente às garantias do poder político, mas no final de março devo me reunir com a presidente Dilma Rousseff e seguramente solucionaremos tudo. O Brasil fará um Mundial extraordinário'', acrescentou.
Terça-feira, na carta de perdão ao governo brasileiro, Blatter já havia dado sinais de desgaste com a gestão Dilma. ''Não deixemos que conflitos nos façam perder tempo. Ao invés disso, trabalhemos juntos para construir algo maior, como prometido pelo presidente Lula durante seu mandato.''
Ontem, o dirigente ainda falou sobre as críticas ao legado da Copa-2010 na África do Sul. ''No momento em que designamos o país para organizar o Mundial, em 2004, a república sul-africana tinha 10 anos de vida porque foi fundada em 1994. E a única coisa que se falava antes sobre a África do Sul era de seu sistema de apartheid e, naturalmente, também do advento do grande humanista mundial que é Nelson Mandela.''
''Após a Copa, a África do Sul forma parte do grupo econômico Brics (ao lado de Brasil, Rússia, Índia e China), com uma economia bastante forte, o rand (moeda sul-africana) está muito estável e, junto com os Brics, conseguiu um representante não-permanente no Conselho de Segurança da ONU. E, agora, os países europeus pedem a este grupo que lhe ajudem.''
Ronaldo
O ex-jogador Ronaldo, membro do conselho de administração do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, comentou ontem sobre a polêmica envolvendo o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, que virou alvo de várias críticas após atacar de forma dura os atrasos do Brasil em sua preparação para a competição e a demora na aprovação da Lei Geral da Copa. E o ex-atleta minimizou o impacto da atitude do dirigente, que teria dito que o País merecia um ''chute no traseiro'' para conseguir apressar os preparativos para a competição.
''As palavras na tradução podem ter saído erradas. Ao pé da letra pode ficar sem o sentido. Ele mesmo já se desculpou com o povo brasileiro. Foi uma infelicidade, mas não tira a razão da reclamação dele. O Brasil se comprometeu a entregar essa Lei Geral da Copa há muito tempo, há atrasos em obras de infraestrutura. Ainda tem muita coisa atrasada'', admitiu Ronaldo, em entrevista para a TV Bandeirantes.

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