Rio - Em um ambiente de profundo mal-estar entre governo e a Fifa, a entidade se irrita diante da provável ausência da presidente Dilma Rousseff na final deste domingo da Copa das Confederações, alerta que o Mundial não é apenas "para o Brasil" e dá ao País apenas nota 7 para a preparação para a Copa de 2014. A avaliação foi feita nesta sexta-feira em uma reunião da cúpula do governo, Fifa e CBF no Rio de Janeiro. Em 2009, um ano antes da Copa, a África do Sul tinha recebido nota 7,5.
Em uma entrevista coletiva horas depois, Joseph Blatter admitiu pela primeira vez publicamente que a entidade viveu um "momento desconfortável" no torneio diante das manifestações. Blatter declarou que o torneio "passou no teste". Mas não escondeu suas cobranças ao governo. "No ano que vem o evento será de outra dimensão. Serão 12 estádios e 32 times", disse, alertando que Recife passou por vários problemas.
Coube ao uruguaio Eugenio Figueredo, presidente da Conmebol e próximo presidente do Comitê da Fifa de preparação da Copa, fazer a avaliação sobre o Brasil. "O País tirou nota sete", declarou. "Há muito que fazer. Não se pode abaixar os braços. Um ano passa muito rápido".
Faltando um ano para a Copa de 2010 e ao final da Copa das Confederações de 2009, Blatter havia declarado que a África do Sul saía do torneio teste com nota 7,5. Para o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, seria difícil comparar o Brasil à África do Sul. "Temos ainda muito trabalho a fazer, como tínhamos entre 2009 e 2010 também", declarou.
Mas era o mal-estar entre governo e Fifa o que mais chamou a atenção. A Fifa está irritada com o fato de que o Palácio do Planalto até agora não confirmou se Dilma estará na final deste domingo, uma tradição nos torneios da entidade. Caberia à presidente entregar o troféu ao campeão.
O Palácio do Planalto indica que a presidente não tem qualquer viagem marcada para o Rio de Janeiro no fim de semana e fontes na Fifa receberam confirmações extraoficiais de que ela veria a partida pela televisão. Blatter admitiu que até agora não sabia dizer se a presidente estaria na final. "Não sou profeta para saber se ela vem ou não". Na abertura, ela foi fortemente vaiada e, segundo políticos cariocas, sequer cumprimenta Blatter.
Neste domingo, um protesto está programado nas ruas que dão acesso ao Maracanã e fontes dentro da CBF já preveem uma nova vaia a Dilma, caso ela apareça. A presidenta também não quer ser vista ao lado de José Maria Marin, presidente da CBF, e o momento da entrega da taça poderia acabar se transformando em um ato de reprovação. Já do lado do governo, Brasília insiste que foi Blatter quem deixou o País às pressas no auge da crise, sem sequer avisar.
A troca de farpas foi permanente nesta sexta, no que era para ser uma coletiva de imprensa para apresentar os resultados do torneio. Blatter ainda criticou políticos e grupos que acusam a Fifa de estar lucrando com o Brasil, sem deixar nada em troca. "A Copa não é para esse País. Mas para todas as 209 federações", alertou. "A Copa é para todos e é a Copa que a Fifa compartilha com um país".
Segundo ele, o sucesso da Copa é "fundamental" para a Fifa, já que se trata da principal fonte de renda da entidade e que financia outros 16 eventos pelo mundo. Ele ainda garantiu que seu objetivo "não é levar lucros" do Brasil, mas ajudar o país a organizar o Mundial.
Blatter ainda aproveitou para fazer suas cobranças ao governo, alertando que a segurança é "responsabilidade" das autoridades e que um país não pode apenas dar estádios para o evento. "Precisamos de logística, ruas, aeroportos, hotéis".
O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, adotou uma frieza absoluta em relação aos cartolas. Mas também atacou quem fez qualquer tentativa de relacionar os protestos com a realização da Copa. "As manifestações aconteceram por razões muito distintas", comentou Rebelo, que prometeu proteção aos torcedores que tentem ir à final no domingo.

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