Binho quer brilhar no futebol italiano
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sábado, 07 de junho de 1997
Jairo Gomes 
Marcos BorgesO paranaense Binho, do Êmpoli: férias em LondrinaO Campeonato Italiano da próxima temporada terá uma atração especial para os torcedores paranaenses. Um jogador revelado pelo futebol londrinense estará disputando a competição, muito provavelmente na primeira divisão. Trata-se de Fábio Eduardo Crivari, o Binho, de 22 anos, que começou a jogar futebol na Associação do Pessoal e Universidade Estadual de Londrina (Apuel) e que depois defendeu a equipe de juniores do Londrina Esporte Clube.
Binho assinou contrato com o Êmpoli, da cidade de igual nome, na região da Toscana (centro da Itália), que neste fim de semana pode confirmar a sua volta à primeira divisão. A cidade fica a 20 quilômetros de Florença. Binho, que joga como lateral-direito e zagueiro, assinou contrato com o Êmpoli até o ano 2000. Depois disso, terá passe livre e poderá renovar o compromisso ou acertar com outro time.
Binho nasceu em Cambará, mas as suas primeiras conquistas ocorreram em Londrina. Ele foi campeão paranaense de juniores em 93 pelo Tubarão, além de conquistar o título dos Jogos da Juventude, no mesmo ano e da Taça Cidade de Londrina, em 94. Binho ficou no júnior do Londrina até 95. Naquele ano, aproveitando uma excursão da equipe à Europa, mostrou o seu futebol para vários empresários que foram ver o time paranaense jogar na Suíça e em Portugal.
No segundo semestre de 95, o jovem jogador retornou à Europa e ficou até março de 96 em Verona, na Itália, onde deveria assinar o seu primeiro contrato. Porém, uma lesão no joelho esquerdo fez com que mudasse os seus planos. Binho retornou ao Brasil e teve de se submeter a uma operação, em Presidente Prudente (SP). A sua recuperação foi considerada excelente pelo empresário Gabriel Tubaldi, um brasileiro que reside há vários anos na Itália. O empresário esteve em fevereiro em Londrina, para verificar as condições do jogador e voltou animado.
AcertoComo não ficou com nenhuma sequela da operação, Binho viajou em abril passado para a Itália, onde foi conversar com os dirigentes do Êmpoli, que tem por política formar jogadores e depois vender os seus passes para equipes maiores. O último a sairfoi o lateral-direito Berindelli negociado com a Juventus, campeã da temporada 96/97.
Binho fez apenas um teste no time italiano, que estava disputando a segunda divisão. Já no segundo treino, ele foi chamado para assinar contrato com a equipe. Binho não quis falar em cifras, mas disse que tem algumas mordomias como um apartamento para residir e um carro, cuja marca ficará sabendo quando voltar em julho para a Itália. Segundo Binho, o carro oferecido apenasaos jogadores estrangeiros do clube.
FériasComo o calendário europeu é diferente do brasileiro, Binho está em férias em Londrina, antes mesmo de disputar um só jogo pelo seu novo time. Mesmo de longe, ele acompanha com interesse o desenrolar das últimas duas rodadas da segunda divisão. Hoje, por exemplo, o Êmpoli joga em casa com o Cesena e no próximo domingo, em Cremona, com o Cremose. O Êmpoli só precisa de uma vitória para voltar à primeira divisão.
Binho conta que seu novo clube é presidido pelo empresário Fabrizio Corse, do ramo de casacos de peles. Além de jogar futebol, o atleta paranaense tem outros planos para a sua temporada na Europa. Ele pretende fazer um curso de italiano e aproveitar a parte cultural da região. Binho teve a sua transferência facilitada para a Itália, pelo fato de ter conseguido passaporte daquele país, devido à sua descendência.
A primeira competição de Binho com a camisa do novo time deverá ser a Copa da Itália, que só começa no dia 1º de agosto e reúne as equipes de todas as divisões daquele país. Já o Campeonato Italiano será disputado a partir de 8 de agosto.
PasseBinho aproveita a estada em Londrina para agradecer ao desportista Pedro Roberto Cansolin, que comprou o seu passe em setembro de 96, junto ao Londrina, quando o jogador estava lesionado.
Segundo Binho, Cansolin não teve muito lucro com a sua venda para os empresários italianos. O passe custou cerca de R$ 28 mil, recorda. Ele acreditou em mim e eu espero retribuir essa confiança, quando melhorar a minha situação, diz o jogador, que promete ser mais um brasileiro a brilhar no futebol europeu.


