Aproveitando os últimos dias de férias na casa dos pais em Londrina, Binho, ex-lateral-direito do Tubarão, confessou que pensa em parar de jogar. Aos 32 anos, dez deles dedicados ao futebol italiano, o jogador diz que a próxima temporada pode ser a última como profissional.
Binho voltará neste sábado para Lucca, onde mora com a família, mas não deve se reapresentar ao time local, a Lucchese, porque seu contrato acabou. O jogador negocia com outra equipe, também da Segunda Divisão da Itália, e está próximo de um acerto, o que fez adiar, momentaneamente, o final da carreira. ''Ainda não parei porque aparecem propostas boas, mas penso em parar logo. Depois de todos os problemas que tive, é um milagre ainda estar jogando'', afirmou.
Desde que se mudou para a Itália, em 1997, para defender o então modesto Empoli, que acabara de subir para a Primeira Divisão naquele ano, Binho trocou de posição e virou atacante. Vítima dos zagueiros, ele já passou por sete cirurgias, sendo três apenas no joelho esquerdo, um dos motivos pelo qual pensa em parar de jogar. ''Além disso, você sofre com as alterações no clima. Num dia você joga com menos 10 graus, com neve e depois joga no calor. Já está bom tudo o que fiz'', avaliou.
Binho começou a carreira no Londrina e fez parte da epóca de ouro das categorias de base do Tubarão. Foi campeão estadual de juniores e quarto colocado na Taça São Paulo de 1994, no time que tinha o atacante Agnaldo e os volantes Alemão e Tião. Também fez parte do time treinado pelo ator Nuno Leal Maia.
A história que começou feliz no Londrina não terminou muito bem. Ele sofreu uma séria contusão e foi abandonado pelo clube. ''Fui para a Itália e levei meu irmão'', disse Binho, se referindo a Cribari, zagueiro da Lazio, que estava no time juvenil do Tubarão na época. ''Hoje, o Londrina está igual a dez anos atrás, com os mesmos problemas'', criticou.
Foi então que aceitou a proposta do Empoli e foi jogar na Itália. Passou ainda por Lucchese, Livorno, onde trabalhou com o técnico Donadoni, que hoje comanda a seleção italiana, e depois das cirurgias perambulou entre as Séries B e C do Calcio. ''São campeonatos fortíssimos, com muito investimento e muita pressão. Comparo ao Brasileirão'', definiu.
Binho pensa em ser uma espécie de olheiro de algum clube italiano após parar de jogar. ''Quero algo parecido com o cargo do Leonardo (diretor do Milan). Vou me preparar, fazer os cursos da Fifa e posso observar garotos no Brasil para algum clube da Itália'', contou, revelendo que não tem a intenção de voltar a morar no País. ''Minha mulher é italiana e não se adaptaria''.
Ele acha que não tem idade mais para atuar em um grande time no Brasil e descartou voltar, inclusive para defender o Londrina, clube que o projetou. ''Para isso teria que morar aqui e para mim é inviável'', afirmou.
Binho se diz surpreso com o sucesso que o irmão está tendo na Itália. ''Que ele sabia jogar eu tinha certeza, mas não espevara que fosse chegar no ponto que chegou'', confessou.

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