Atenas - O brasileiro Ricardo Winicki, o Bimba, conseguiu perder uma medalha ''quase certa'' ontem na última regata da classe mistral da vela, na raia olímpica de Agios Kosmas. Na liderança antes da última regata, o carioca precisava apenas de um 15º lugar para assegurar ao menos o bronze. Mas ficou em 17º, terminando a competição dos Jogos de Atenas na quarta colocação.
O ouro ficou para o israelense Gal Fridman, vice-líder até a última regata e que ontem chegou em segundo. Com o décimo lugar de ontem, a prata foi para o grego Nikolaos Kaklamanakis, que acendeu a pira olímpica na cerimônia de abertura. O vencedor da regata final, o britânico Nick Dempsey, ficou com o bronze.
Na liderança até a última regata, Bimba podia assegurar o ouro se chegasse até em terceiro lugar ou então pelo menos duas posições atrás de Gal Fridman e três atrás do grego Nikolaos Kaklamanakis.
O velejador brasileiro culpou a natureza por sua desastrosa participação na última regata da competição. Segundo ele, as condições de vento na raia de Agios Kosmas, na manhã de ontem, foram totalmente atípicas. Em entrevista ao site oficial do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), ele confirmou ter feito o possível para conquistar a medalha, e explicou os problemas do dia de competições.
''Foi um dia atípico. Começou com vento fraco, que depois ficou forte e em todas as direções. Comecei bem, mas o israelense também saiu bem e foi lá para frente. Depois tentei administrar o grego mas, no fim, ele conseguiu me passar e mais quatro adversários'', disse.
Scheidt - Medalhista em Atenas, Robert Scheidt chegou ontem em São Paulo dizendo que a derrota para Ben Ainslie, em Sydney/2000, estava engasgada, mas que já realizou tudo o que queria para sua carreira. Agora, quer descansar, curtir a medalha e velejar, para então pensar em novos desafios.
''Largar a Laser vai ser muito difícil porque essa categoria me deu muita alegria. Mas ainda é muito cedo para dizer o que vou fazer. Até mesmo porque as classes olímpicas só serão divulgadas em novembro'', desconversa Scheidt. ''A Laser sempre vai morar no meu coração. Não posso dizer o que vou fazer ainda. Quero descansar e estudar as possibilidades.''
Neste ano, o velejador ganhou todos os dez torneios que disputou. Com tantos compromissos, quem comemora a pausa nas competições é a namorada, Carol Nunes, que foi a Atenas e voltou um dia antes que Scheidt. ''Tive de voltar para trabalhar'', diz. Sobre o assédio ao namorado, que segunda-feira ficou mais de uma hora distribuindo autógrafos, Carol brincou: ''Tudo bem, eu espero na fila. No fim de semana vou comemorar meu aniversário, espero que sobre um tempinho para ficarmos juntos.''

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