Apesar de estar morando em Belo Horizonte há mais de dez anos (encerrou a carreira no Minas Tênis Clube, no ano passado), pelo menos uma vez por ano o nadador londrinense Rogério Romero, 35 anos, vem à cidade para rever os familiares e participar do Festival Rogério Romero, realizado sempre no mês de novembro e organizado por sua irmã, a professora de natação Karen Romero.
O festival, que está em sua 5 edição, tem o objetivo de aproximar o público infanto-juvenil do bicampeão pan-americano dos 200m costas e também de motivar a garotada da região a se dedicar à natação. O festival será hoje, a partir das 9 horas, no parque aquático do Londrina Country Club, e contará com 400 crianças de escolas de natação do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo.
A principal diferença das edições anteirores é que desta vez Romero não vem mais ao festival na condição de nadador, mas como subsecretário de Esportes de Minas Gerais, cargo que ocupa desde agosto de 2004, após ter retornado de sua quinta Olimpíada, a de Atenas-2004. Ele tentou continuar competindo, mas logo viu que não daria mais para aliar as funções de nadador e de político.
Sua última competição foi uma etapa da Copa do Mundo, em novembro de 2004. ''Eu vinha diminuindo o ritmo aos poucos e após aquela etapa decidi parar definitivamente, pois vi que não dava mais para acompanhar a garotada. Depois de 29 anos de conquistas não posso ficar colocando a cara para bater, não é?'', disse ele, descontraído, em entrevista por telefone à Folha.
Romero disse que se sente realizado por ter conseguido se dedicar ao esporte por quase 30 anos. Em suas palestras, ele conta alguns dos segredos de sua longevidade nas piscinas: alimentação correta, musculação, concentração, aquecimento e alongamento antes das provas, os fundamentos da saída, virada e chegada, determinação e a inspiração necessária para competir.
Mudança radical Acostumado com uma rotina de treinos exaustivos, o londrinense disse que desde que decidiu parar de nadar, sua vida mudou radicalmente. ''O trabalho na secretaria de Esportes absorve quase todo o meu tempo e hoje virei quase um executivo. Durante toda a minha vida andei de chinelo, sunga e agasalho. Hoje visto só roupa social e quase não entro mais na piscina'', revela Romero.
Outra mudança foi na vida familiar. Sua mulher, a nadadora Patrícia Comini, também parou de competir em abril e agora o casal espera pela chegada da primeira filha, que deve nascer em fevereiro. ''É uma nova etapa da minha vida e até me adaptei rápido com as mudanças, porque é tanto trabalho na secretaria que nem dá tempo de pensar. Aqui tenho que me dedicar a todas as outras modalidades e busco ser o mais isento possível'', afirmou.

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