Bicampeão mundial descarta favoritismo
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
Dimas Rodrigues<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O gaúcho João Derly tem apenas 1,63m e compõe a equipe brasileira de judô em Pequim. Será a estréia dele em Olimpíada. Assim, a primeira vista, as credenciais do judoca não intimidariam nenhum adversário tampouco despertariam expectativa de medalha para o Brasil. Quem não o conhece, se engana. O baixinho João Derly é uma das maiores esperanças de ouro da delegação brasileira na China.
Bicampeão mundial, ouro no Pan do Rio de Janeiro, em 2007, e detentor de outras cinco medalhas douradas em etapas da Copa do Mundo, João Derly é sim, temido por onde passa. A partir do próximo dia 09, quando começam as lutas nos tatames chineses, o gaúcho de 27 anos irá tentar manter a fama e assim, realizar um sonho de infância. Aos seis anos, quando começou a praticar o esporte por recomendação médica para tratar de asma, João viu pela tevê um campeão virar herói nacional. Em 1988, Aurélio Miguel, em Seul conquistava o primeiro ouro do judô para o Brasil. A partir dali, o esporte para João Derly seria muita mais que uma saudável terapia. A receita então era treinar, lutar, vencer e seguir os passos do ídolo.''Sempre fui fã dele e espero igualar a sua conquista agora'', disse o judoca, em entrevista à Folha de Londrina por e-mail.
A galeria de medalhas do judoca poderia ser mais dourada não fosse os problemas dele com a balança. Até 2003, João Derly competia na categoria ligeiro para atletas com no máximo 60 kg. Mas o judoca sofria para não ultrapassar esse limite e algumas vezes para fazer as pazes com a balança na semana anterior às competições, passava por um regime rigoroso que o fazia perder peso, mas que o deixava debilitado no tatame. Em 2002, ao tomar um diurético para perder peso rapidamente, dias antes de um torneio, Derly foi flagrado no exame anti-doping e foi punido com seis meses de suspensão. Cumprida a punição, o gaúcho resolveu mudar para a categoria meio-leve, até 63kg e com isso, passou a brigar apenas com os adversários. E as vitórias vieram em peso.
Apesar de toda badalação, João tenta em sua primeira Olimpíada evitar o clima de já ganhou. ''Não me considero favorito porque há muitos adversários difíceis. Além disso, como fui o último campeão mundial, certamente serei o mais estudado. É mais difícil se manter no topo do que chegar até ele. Por isso, em toda grande competição, chego humilde, pois não há favoritos, afinal ninguém está lá por acaso'', pregou o judoca.
Em 2005, Derly foi considerado o melhor judoca do mundo. Muito em virtude de ter vencido na final do Mundial o campeão olímpico Masato Uchishiba por ippon em 42 segundos de luta e ainda por ter superado o cubano Yordanis Arencibia, bronze em Atenas-04, outro favorito ao ouro. Dois anos depois, mesmo mais visado pelos oponentes, foi novamente campeão no Mundial do Rio e conquistou pela primeira vez entre os brasileiros, o título de bicampeão do mundo.
Em Pequim, de novo será o nome a ser batido. ''Não duvido que tenha pela frente o Arencibia de novo. Lutamos no pan e no Mundial ano passado. Em ambas eu venci, mas é um grande adversário. As duas lutas foram duríssimas e não tenho dúvidas que se nos cruzarmos de novo, será outro páreo duro. No entanto, também há outros atletas muito bons que posso enfrentar'', previu.
Com um estilo próprio, que mistura o judô tradicional e a luta greco-romana, Derly quer manter a tradição dos judocas brasileiros em Olimpíadas. ''Da última edição dos Jogos para cá, o judô brasileiro evoluiu muito. Foram 3 campeonatos mundiais, 13 medalhas no Pan, muitas em Copas do Mundo... O judô brasileiro chega mais experiente a Pequim. Temos boas chances e estamos focados'', finalizou esperançoso.


