São Paulo - Mais do que nunca o automobilismo brasileiro tem uma mulher para quem torcer. Depois de dois anos na Indy Lights, Bia Figueiredo se juntou ao esquadrão de pilotos nacionais que disputarão a próxima temporada da Fórmula Indy, que terá a etapa de abertura no próximo dia 14, em São Paulo. Foi contratada pela equipe Dreyer & Reinbold Racing e já fez os primeiros treinos no Alabama, nos Estados Unidos.
Bia - Ana Beatriz para os norte-americanos porque eles não conseguem pronunciar o sobrenome Figueiredo -, admite que este será um ano de desafio. ''O carro atual é completamente diferente do da Indy Lights. O motor é mais potente, 200 cavalos a mais, mas não é só isso: o câmbio, por exemplo, é no volante, enquanto o do ano passado era no carro'', disse Bia. ''Estou tentando me adaptar o mais rapidamente possível. Conhecer a pista me ajudou'', contou a piloto, que está otimista.
Ela confessa que levou tempo para se dar conta de que havia se tornado a primeira brasileira a chegar a uma categoria top do automobilismo. ''Pois é. Só quando me perguntaram como eu me sentia fazendo história foi que me dei conta. É muito legal, afinal, foram 17 anos de luta''.
A trajetória nem sempre foi fácil. Bia acredita que foi beneficiada pelo fato de ter apenas uma outra irmã mulher que, ao contrário dela, não gosta de esportes. ''Ela é totalmente intelectual'', contou. Os pais não se opuseram ao fato de a menina ter escolhido um esporte incomum para garotas de sua idade. ''Eles sempre me apoiaram, especialmente no meu início no kart. Afinal, competir não é uma coisa barata''.
E, além de ser um esporte caro, o ambiente lhe era hostil. ''Alguns pilotos batiam em mim de propósito. Tinham ódio porque eram humilhados por pessoas da equipe ao perder para uma menina. Alguns esfregavam calcinhas na cara deles''. No começo, Bia chorava. ''Mas, depois, aprendi a revidar''. Foi quando a piloto começou a impor respeito.
A vida de Bia começou a mudar ao conhecer uma pessoa especial. ''Dei muita sorte por encontrar o Nailor Campos. Foi quem me ensinou tudo de kart e me apresentou para o André Ribeiro''. Bia não se esquece do primeiro encontro com seu atual empresário, idealizado pelo treinador. ''O Nailor dizia para ele que tinha um piloto. Quando o André viu que era mulher ficou com cara de tacho''. Mesmo assim, confiou no palpite do ex-treinador. ''Hoje digo que tenho quatro pais: meu pai mesmo, o Nailor, o André e o Augusto Cesário (sócio de André)''.
A piloto espera fazer bonito na estreia. ''Tento pegar o lado bom. Muitos amigos têm ligado pedindo ingressos. Acho que vai ser um momento especial''. Bia não se preocupa com comparações com a norte-americana Danica Patrick, outra mulher na Fórmula Indy. ''Estou tranquila, chegando para aprender. Espero me adaptar logo e surpreender''.

mockup