Londres - Usain Bolt fez do raio a sua marca registrada - e o jamaicano mostrou, mais uma vez, que é realmente uma força da natureza. Nos 100 metros mais rápidos da história, ontem, o velocista entrou na prova com o terceiro tempo entre os oito finalistas, largou mal (como sempre) e, fazendo a veloz pista do estádio Olímpico de Londres passar por suas poderosas passadas, tomou a liderança na metade da corrida para cruzar a linha de chegada de maneira gloriosa.
  Usain Bolt mostrou que, muitas vezes, compete com ele mesmo, e assim fez ao se tornar bicampeão olímpico em Londres. A marca de 9s63 é a segunda mais rápida da história, só atrás de seus 9s58, recorde mundial conquistado no Mundial de Berlim, na Alemanha, em 2009. Com a exceção de Asafa Powell, que sentiu uma lesão e chegou em último lugar com tempo acima de 11s, todos os outros seis velocistas correram abaixo dos 10 segundos, algo inédito na história do atletismo.
  Bolt não derrotou apenas seus rivais - o jamaicano Yohan Blake foi prata com 9s75 e o norte-americano Justin Gatlin, bronze com 9s79. Também superou uma inédita desconfiança que começou em 2011. O jamaicano não conseguiu revalidar o seu título mundial dos 100 metros, em Daegu (Coreia do Sul), ao ser eliminado da final por queimar a largada.
  Conquistou, é verdade, o bicampeonato dos 200 metros e do revezamento 4x100 metros. Mas, em 2012, surgiram as informações de que o campeão estava lesionado, com problemas nas costas. E veio a dupla derrota para Blake, nos 100m e 200m, nas seletivas jamaicanas para Londres.
  Bolt chegou à Olimpíada da maneira que se esperava: confiante, brincalhão, falando em ganhar ouros. Mas não demonstrou, nas fases anteriores à final, os tempos fenomenais que marcaram sua carreira. O jamaicano passou das eliminatórias com a marca de 10s09, uma apresentação ruim para quem acostumou o mundo a tempos sempre abaixo de 10 segundos. Na semifinal, já teve uma performance mais compatível com seu histórico ao avançar com 9s87, desacelerando no final.
  Antes de alinhar para a decisão, fez o estádio Olímpico vir abaixo. Interagiu com as câmeras como ninguém durante a apresentação. Simulou estar nas pick-ups, como faz em suas várias apresentações como DJ. Juntou os dedos indicador e médio da mão direita para fazer passinhos. Deu socos no ar, como um lutador. E foi para o bloco de partida, que reclamou ser menor que seus pés tamanho 44, para largar e esquecer a falsa saída de Daegu.
  A partida fez o estádio sair do completo silêncio para um barulho ensurdecedor. Bolt saiu de maneira conservadora. ‘‘Acho que fiquei um pouco preso no bloco. Realmente não foi a melhor largada do mundo. Mas essa foi a chave, fazer o que eu meu técnico (Glen Mills) mandou: não pensar na largada, já que o meu melhor sempre é o fim. Eu não pensei na saída e fiz o que tinha que fazer.’’ Ao vencer, pegou a bandeira jamaicana, beijou a pista e emulou o relâmpago.
  Para virar uma lenda, seu grande objetivo aos 26 anos, o jamaicano afirma que precisa revalidar os três títulos olímpicos que conquistou em Pequim, há quatro anos. Amanhã, começa a brigar pelo ouro dos 200 metros, essa sim, a sua prova favorita. Faltam só mais dois e estamos contando.

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