Brasília - O amistoso entre Brasil e Portugal, às 22 horas de quarta-feira, marcará a reinauguração do Estádio Bezerrão, na cidade-satélite do Gama, a 40 quilômetros de Brasília. E também o início da luta do governador José Roberto Arruda (DEM) para transformar a capital federal numa das sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. O encontro contará com os principais ídolos das duas seleções, Kaká, do Brasil, e Cristiano Ronaldo, de Portugal.
O novo estádio, construído em cima do velho Bezerrão - parte da arquibancada antiga ficou em pé, atrás de um dos gols, e servirá de assento de um anfiteatro, ao lado -, tem tudo o que há de mais moderno nesse tipo de edificação.
É um estádio nos padrões exigidos pela Fifa: obedece a todas as regras estabelecidas pela entidade máxima do futebol, como a numeração das cadeiras, a distância mínima de 7 metros entre a arquibancada e a faixa lateral do campo, e 24 saídas de emergência, capazes de evacuar o público em poucos minutos.
Outra vantagem é que o torcedor, pela proximidade entre campo e assento, vê a partida como se estivesse assistindo a um filme na sala de casa. Pelas regras da Fifa aplicadas ao Bezerrão, o torcedor, não importa onde esteja sentado, verá todos os pontos do campo - e os locais mais longínquos não ultrapassam os 90 metros da extremidade mais distante do gramado, o que também é uma exigência da Fifa.
Foram instaladas em todas as dependências 104 câmeras de segurança, capazes de aproximar a imagem até 100 vezes. Dois geradores para iluminação de emergência entrarão em funcionamento se faltar energia, o que evitará a interrupção das partidas.
Só o estacionamento não é o ideal - com capacidade para 20 mil torcedores, tem apenas 1.242 lugares para carros e sete vagas para ônibus. E as pistas próximas são estreitas, o que certamente provocará engarrafamentos.
O novo estádio é um projeto do arquiteto Ruy Ohtake e foi batizado com o nome oficial de Valmir Campelo Bezerra, o ex-administrador do Gama, em 1977, quando o primeiro Bezerrão foi construído. O novo estádio custou R$ 55 milhões e ficou pronto 22 meses depois do início da construção.
Foi pintado na cor verde, por dentro e por fora, a cor predominante da Sociedade Esportiva do Gama, time do governador José Roberto Arruda e do seu vice, Paulo Octávio (DEM). No sábado, a equipe perdeu para o Criciúma por 2 a 0 e caiu para a Série C do Campeonato Brasileiro com três rodadas de antecipação.

Amistosos
Apesar de toda modernidade do novo Bezerrão, se Brasília for escolhida para ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, ele servirá apenas para amistosos antes do campeonato e para treinamento das equipes. O Bezerrão tem apenas 20 mil lugares. Não poderá receber jogos do Mundial.
O palco das partidas oficiais seria um novo Estádio Mané Garrincha. Novo porque do atual, construído no Eixo Monumental - continuação da Esplanada dos Ministérios, a cerca de três quilômetros do Congresso e do Palácio do Planalto - nada será aproveitado. Terá de ser implodido para que seja erguido outro, sem a enormidade de pontos cegos existentes, o que tornou inúteis diversas das cabines de rádio.
Ao visitar o Bezerrão, na semana passada, o governador José Roberto Arruda chegou a comentar que "é hoje o mais bonito estádio do Brasil". Na sua opinião nada isenta, é mais belo até do que o Engenhão, construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007, hoje locado para o Botafogo.
O Bezerrão não é moderno só nas arquibancadas e no gramado. Tem amplos vestiários para as duas equipes, cada um com oito banheiras de hidromassagem, e vestiários masculino e feminino para os árbitros.
A partida de reinauguração do Estádio Bezerrão tem dado o que falar. O governo do Distrito Federal e a Federação Brasiliense de Futebol reservaram, a princípio, mais de um terço dos 19.358 ingressos para doar a autoridades dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Mas, com a repercussão negativa da medida, recuaram e tiraram delas 2.500 ingressos. Com isso, serão vendidos 12 mil bilhetes.
O preço, no entanto, é muito alto. Os ingressos das arquibancadas laterais estão sendo vendidos a R$ 250; os que ficam atrás dos gols, a R$ 180, e os destinados a deficientes físicos, a R$ 200. A administração da cidade do Gama sorteou 2 mil ingressos para a comunidade local. Outros 500 foram distribuídos para os operários da construtora que ergueu o estádio.

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