Bertipaglia repete gesto de 93
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Claudemir Scalone Londrina 
Susto e decepção. Foram as reações de Anísio Augusto Bertipaglia ao ser informado ontem que seu filho, Rogério Augusto Bertipaglia, 27 anos, era o torcedor anônimo do Londrina que faz greve de fome desde sexta-feira em frente à sede do Clube Atlético Paranaense, em Curitiba. Foi o diretor-administrativo do Atlético, Washington Lemos Filho, quem ligou para a seu Anísio, em Londrina, contando a história sobre o filho e pedindo-lhe para convencê-lo a desistir da greve.
Anísio disse ao diretor do Atlético que não poderia deixar o emprego em Londrina para ir até Curitiba. Acrescentou que Rogério é maior de idade e sabe o que está fazendo, e que, se preciso, poderiam tirá-lo da entrada do clube. Só uma pessoa, acredita Anísio, pode convencer o filho a desistir da greve: a namorada Maria Ângela Assunção, que também está em Curitiba.
Anísio Bertipaglia não sabe explicar que motivos levaram seu filho a adotar esta atitude, mas desconfia que alguém o tenha influenciado. Ele está servindo de palhaço de algum mui amigo. Segundo o pai, o assunto traz chateaçãopara a família. Seu esposa, Conceição, está muito nervosa. O último contato telefônico com o filho foi na sexta-feira. Vi a Folha ontem (segunda-feira) e fiquei desconfiado de que poderia ser o Rogério, disse Anísio, que parece estar se acostumando com o peculiar gesto do filho.
É o rapaz que gosta de fazer greve, brincou Anísio, ao admitir à Folha que R.B. (como Rogério se identificou à imprensa) era seu filho. Seu Anísio se referia ao protesto feito por Rogério em abril de 1993 em frente ao Terminal Urbano de Londrina. Na época, Rogério ficou 19 dias em greve de fome contra o aumento da tarifa do transporte coletivo e a manutenção do monopólio da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). Ele foi convencido a terminar com o protesto pelo atual prefeito de Londrina, Antônio Belinati, na época sem cargo político.


