Bernoldi pode quebrar ‘jejum’
Marcos Freitas
Especial para a Folha
Ele é o atual líder do Campeonato Inglês de Fórmula 3. Com cinco vitórias nas oito etapas, Enrique Bernoldi pode colocar o Brasil no topo do campeonato que não é vencido por um brasileiro desde 92. O último campeão foi Gil de Ferran. De folga em Curitiba, Bernoldi falou à Folha sobre sua vida e os planos futuros, contou curiosidades como ter entrado por acaso no mundo da velocidade.
Curitibano da gema, como gosta de enfatizar, Enrique Bernoldi nasceu no dia 19 de outubro de 78. Estreou no kart em 87, mas tudo foi por acaso. Ele conta que quando fez sete anos o seu pai, Mauro Bernoldi, perguntou o que ele queria ganhar de presente. Bernoldi nem titubeou e pediu logo um binóculo para ver corridas de cavalo. O pedido foi rechaçado pelos primos que o incitaram a pedir um kart. Ele pediu e ganhou.
‘‘Na verdade o kart era para toda a família’’, conta. Mas nem ele mesmo acreditava que iria se sair tão bem. Já no ano de estréia foi campeão curitibano e a partir daí os títulos não pararam. Foi campeão paulista, bi brasileiro e obteve boas colocações no Sul-Americano.
A carreira internacional começou com muita sorte. ‘‘No dia em que eu tinha certeza que iria apanhar no colégio por causa de mulher, meu pai disse que eu não precisava ir para a aula pois iria para a Itália fazer um teste’’, lembra. ‘‘Até hoje meu pai não sabe que me tirou duma fria pra me colocar numa quentíssima’’, conta.
Ele foi para Itália sem apanhar e se deu bem. Começou na extinta categoria Alfa Boxer, passou pela F-Renault e, no ano passado, estreou na F-3. Hoje é líder isolado do campeonato e faz planos para o futuro. ‘‘Quero ser campeão este ano e um dia estar na F-1’’, sonha.
Bernoldi credita o sucesso deste ano a vários fatores. À equipe bem afinada, aos mecânicos competentes e, é claro, aos seus braços. ‘‘Levo vantagem pois conheço as pistas’’, comemora. Morando sozinho em Oxford, na Inglaterra, a saudade é a única coisa que o incomoda.
Paranista de coração por causa do avô, Erondi Silvério, ex-presidente do Pinheiros e sócio número um do Paraná Clube, Bernoldi não acredita mais que seu time seja hexacampeão. ‘‘Mas o Brasil vai detonar na França’’, comemora antecipadamente.
Filho único ele conta que não gosta de ver ninguém nas suas corridas. ‘‘Prefiro que me vejam nos treinos’’, conta. Bernoldi viaja domingo. Ele volta à Inglaterra, onde dia 14 de junho corre em Snetterton.

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