Bernoldi não se abate com má fase e promete volta por cima
Marcos Freitas
O piloto parana ense Enrique Ber noldi acredita que o pior desta tem porada já passou. Ele não vem bem em sua primeira participação na Fórmula 3000. Em cinco corridas, este curitibano de 20 anos, ainda não conseguiu pontuar. Considerado uma das grandes promessas do automobilismo mundial, Bernoldi credita a má fase à sua inexperiência na categoria e também a alguns erros da estreante equipe Marko/Sauber Jr. Faltando seis corridas para o final do campeonato, o piloto acreditaque no segundo semestre tudo vai melhorar.
Pouquíssimos treinos e a diferença da passagem de um carro de 220 cavalos para outro de 500 cavalos foi sentida por Bernoldi, que até o ano passado corria na Fórmula 3 inglesa. O piloto luta agora para conseguir bons lugares e espera já em Silverstone, neste sábado, reverter a má fase. Conheço bem o circuito, o carro está melhor e acho que vou me dar bem, disse.
As grandes mudanças de um ano para o outro também são motivo de explicações pelos resultados: Devido à economia de gastos nesta temporada, não há treinos livres. As tomadas são feitas apenas em um treino de 45 minutos, o que dificulta muito o trabalho da equipe, lamenta. Ainda por cima estamos nos adaptando às regras da categoria, sem falar que a equipe faz seu primeiro ano na Fórmula 3000, conta.
Bernoldi sofreu com a falta de sorte no primeiro semestre. Foram acidentes, problemas no carro e várias corridas de recuperação que determinaram o rendimento do piloto. Saía bem atrás e conseguia chegar na ponta até que me jogavam para fora, errávamos nos pit-stop, enfim, não tivemos muita sorte, diz. Porém, o piloto confia na sorte e acha que tudo pode mudar. Sinto que o que tinha que acontecer já aconteceu e estou tranquilo para as próximas corridas, diz.
Mas se hoje o piloto não vem conseguindo os resultados que sua carreira o acostumou, Bernoldi ainda tem muito o que agradecer. Em março de 1997, ele passou por um momento delicado. Em decorrência de um acidente de trânsito em Curitiba, com um tio na direção, o piloto entrou em coma devido à colisão de um carro bem no lado da porta em que estava. O quadro era delicado e havia dúvidas quanto à possibilidade de Bernoldi voltar a pilotar.
Assim que saiu do coma, ele mostrou uma enorme determinação em retomar sua carreira. Realizou longas sessões de fisioterapia e, assim que recebeu a aprovação dos médicos, voou para a Inglaterra para disputar a Fórmula 3 inglesa. Foi naquele momento que eu vi o quanto vale a vida, diz.
Ele conta que dá todo apoio para as rígidas normas do Código Brasileiro de Trânsito. Segundo ele, só assim é que as imprudências no volante vão diminuir. O Brasil não pode continuar a acabar com tantas vidas com acidentes nas ruas e estradas, diz. É preciso conscientizar os motoristas para que se lembrem que há vida no trânsito e que as vias não são circuitos de corrida, desabafa.
Bernoldi está há cinco anos fora do Brasil, a saudade ele mata voando para Curitiba todos os meses. Os pais Mauro e Lorena Bernoldi incentivam o único filho em quase todas as corridas. Quando não está correndo gostas de surfar e andar de ski. Já foi motoqueiro, mas o hobbie terminou depois de algumas quedas e a fratura de uma perna e um braço. Futebol ele gosta e torce para o Paraná Clube, mas se precisar jogar ele confessa que não tem nenhuma habilidade com a redonda. Dá até pena de mim, ri.





