O promotor da F-1, Bernie Ecclestone, deixou bem claro, ontem, a todos os envolvidos na definição do título deste ano: ‘‘Qualquer suspeita de comportamentos antidesportivos na pista, qualquer jogo de equipe faltoso será punido exemplarmente’’. Ecclestone, presidente também da associação dos construtores (Foca), adiantou até a pena: ‘‘Os culpados assistirão a um bom número de corridas do Mundial de 98 pela televisão. Não contente, fez mais ameaças: ‘‘Além da exclusão de algumas provas, atingiremos os pilotos onde eles são mais sensíveis, no bolso’’. O dirigente, em tom enérgico, falou que não tolerará que o campeonato seja definido como em algumas edições do passado, com um piloto beneficiando-se de um acidente para ser campeão.
O noticiário dos últimos dias deu a Ecclestone o subsídio que precisava. Michael Schumacher dizia temer ser posto para fora, em Jerez, por Heinz-Harald Frentzen, enquanto Jacques Villeneuve já acusava Eddie Irvine de uma eventual eliminação da competição, para garantir o título de seu companheiro de Ferrari. ‘‘Compreendo que na F-1 os acidentes são naturais, mas há uma diferença entre os acidentes de corrida e os profissionais’’. Ele recordou, sem citar as ocasiões, que em outros anos o Mundial foi decidido antes da largada, com os pilotos planejando a eliminação do adversário.
Ele se referia aos campeonatos de 89 e 90, quando Alain Prost tirou Ayrton Senna do GP do Japão, etapa decisiva, e na temporada seguinte Senna lhe deu o troco na mesma corrida. Também lhe veio à mente o GP da Austrália de 94, em que deliberadamente Schumacher provocou um acidente com Damon Hill. Aproveitando-se do fato de ter um ponto a mais na classificação, o alemão conquistou o seu primeiro título.
‘‘Tanto Schumacher quanto Villeneuve merecem ser campeões, não me importa quem vença, desde que seja uma vitória limpa’’. Sua única preocupação, confessou, era que o Mundial acabasse em Monza. ‘‘Cheguei a pensar no início do ano que Villeneuve pudesse definir a conquista muito antes do final do campeonato, em Monza, o que do lado promocional não seria bom’’.

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