Bernardinho quer revolucionar seleção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de dezembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Aviso aos candidatos a vagas na seleção brasileira masculina de vôlei: preparem-se para experiências incomuns. Além de revolucionar o trabalho de preparação física, técnica e tática, o treinador Bernardo Rezende, o Bernardinho, adotará técnicas de auto-ajuda, que o ex-treinador Radamés Lattari sempre evitou. Os jogadores que vestirem a camisa do Brasil poderão fazer exercícios de ioga, cursos de auto-ajuda, utilizar técnicas de pular corda nos treinos físicos estudar a literatura do esporte norte-americano e até passar por testes de sobrevivência na selva.
Bernardinho adota trabalhos alternativos desde 1994 com a seleção feminina e desde 97 com o time do Rexona - a equipe paranaense enfrentria o Petrobras/Força Olímpica, ontem à noite em Curitiba. Tudo o que aprendeu e utilizou com as meninas será transferido para a seleção masculina. É um processo longo. Não existe milagre a curto prazo. Além disso, os atletas precisam envolver-se mais nos treinos, campeonatos e jogos.
Para ele, o brasileiro é pouco envolvido com o mundo que o cerca e o trabalho de caráter psicológico abre espaço para que se comprometa mais. Citou suas atletas e ex-atletas, que, por conta do grande respaldo dado pelo Rexona, acabam acomodadas. No Rio, a Fernanda Venturini está assumindo mais responsabilidade que aqui.
Um dos pioneiros na utilização dos novos métodos, Bernardinho já recorreu a técnicas de respiração com o professor Orlando Cani, a cursos com o neurolinguista Lair Ribeiro e, recentemente, iniciou um trabalho específico com cordas, orientado pelo bicampeão mundial e brasileiro de Vale-Tudo, José Pelé Landy, além de terapia de grupo com um psicoterapeuta. Pular corda ajuda na coordenação motora, na agilidade, além de ser ótimo para o condicionamento físico, explica Pelé, que ajuda Elisângela, Lígia e Carol.
Vou usar qualquer coisa que agregue valor ao atleta, disse Bernardinho, um estudioso, principalmente, da literatura esportiva norte-americana, a mais rica em produção. Ele pretende dar aos jogadores textos para estudo e reflexão, como uma parte do livro que conta a trajetória de sucesso do ex-atleta da NBA Michael Jordan. As meninas não só aprovaram o texto, como muitas o passaram adiante, caso da Virna, com o Flamengo, conta. Vou propor várias coisas, mas sei que só alguns sairão com um diamante nas mãos. Outros, levarão apenas uma pedrinha.


