São Paulo, 18 (AE) - O técnico Bernardo Rezende desembarcou hoje no Brasil - depois de conquistar a vaga olímpica com a seleção feminina de vôlei, na Copa do Mundo do Japão - falando no futuro e planejando o trabalho da próxima temporada. O desafio para Bernardinho, um técnico vencedor, que assumiu o comando da equipe em dezembro de 1993, é levar ao pódio olímpico
em Sydney, um grupo inexperiente, em fase de renovação, que, na falta de talentos individuais excepcionais, tem de apostar no conjunto. Bernardinho pretende reunir o grupo em maio para fazer melhorias táticas na equipe.
"Vamos continuar investindo no sistema defensivo - defesa e bloqueio -, que foi bem no Japão, e melhorar o ataque individualmente". O técnico observou que o porcentual de acertos do ataque de suas "ponteiras" foi menor que o das russas, por exemplo. "Ainda podemos crescer nisso."
Bernardinho pretende trabalhar para Sydney com o grupo que tem
sem insistir na volta de jogadoras como Márcia Fu, Hilma ou mesmo da levantadora Fernanda Venturini. "O que temos são as jogadoras que foram à Copa do Mundo, que deram provas de que são corajosas", afirmou. "Saíram da barra da saia da mãe outro dia
ganharam o Pan, foram vice no Grand Prix e obtiveram a vaga olímpica." Entre 0 e 10, deu nota 7 para as jogadoras.
Disse que se atletas como Márcia Fu, Hilma e Fernanda Venturini, além de Fernanda Doval, que está na Itália, quiserem voltar, "terão de cortar um dobrado", enfrentar muito treino e sacrifícios para estar no grupo de 11 jogadoras (os times terão um atleta a menos) em Sydney. "A base é essa seleção que jogou a Copa, mais a Raquel".
Bernardinho só não gostou da atuação do Brasil, contra Cuba, e mesmo assim após o primeiro set. "Contra a Rússia, jogamos de igual para igual e só perdemos no tie-breaker."
Os integrantes da seleção chegaram hoje, em São Paulo, após uma viagem de mais de 30 horas desde Nagoya, que a atacante de meio-de-rede Janina definiu como "interminável". Apesar de cansada, a jogadora, de 27 anos e 1,92 m, disse que estava satisfeita pela classificação do Brasil à Olimpíada de Sydney, no ano que vem. Janina teve uma crise de hipoglicemia pela segunda vez na ásia nesse campeonato, fruto de uma alimentação inadequada. "Eles só comem macarrão e fritura", comentou.
Ana Moser, a capitã do grupo, disse que foi excelente obter a vaga olímpica em uma competição em que todas as seleções "estavam com a corda no percoço" brigando por apenas três vagas. Elogiou a evolução da defesa e do bloqueio do Brasil, disse que o atual grupo ainda vai crescer, adquirir maturidade, e que é possível chegar ainda mais perto de Cuba e Rússia, as outras duas seleções classificadas para Sydney, em primeiro e segundo lugares na Copa do Mundo.
Virna classificou a atual seleção, como um time que não tem craques, mas é formado por "guerreiras". Observou que conseguiram enfrentar um campeonato desgastante, mantendo-se no pódio. "Fiquei feliz pelo ano que tivemos e pelo grupo."

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