São Paulo - A renovação da seleção brasileira masculina de vôlei ganhou ênfase esse ano, ainda antes do bicampeonato mundial, quando o técnico Bernardo Rezende passou a trabalhar um grupo de novatos para depois dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.
Após o ouro olímpico (2004) e o bicampeonato mundial (2002 e 2006) - a seleção terminou este ano com 26 vitórias e duas derrotas -, Bernardinho tem de pensar em como manter o Brasil eficiente e no topo. O desafio é o ciclo olímpico que vai até os Jogos de Londres, em 2012, com o Mundial da Itália, em 2010, no meio. Assim como enfrentou as aposentadorias de Maurício, Giovane e Nalbert após a Olimpíada de Atenas, o Brasil pode ficar sem Ricardinho, Giba e Gustavo depois de Pequim.
''As pessoas me perguntam muito porque o vôlei está em ascensão. Acho que a origem dessa história toda foi a profissionalização do processo, desde os anos 80, com investimento na base. As seleções começaram a trabalhar de uma forma consistente, sem viver de lampejos pessoais, talentos que surgiram e foram. Tem se mantido entre as quatro, cinco primeiras do mundo, no masculino e feminino, com picos, como mostram as medalhas olímpicas e mundiais'', afirma Bernardinho.
O levantador Ricardinho, alma do time bicampeão mundial, tem 31 anos, mesma idade do meio-de-rede Gustavo, experiente e líder. O outro meio, titular no time do Brasil, André Heller, tem 30 anos. O ponta Giba, o melhor do Mundial do Japão, tem 29. O líbero Escadinha, show de defesa, 31. E no banco de reservas a seleção ainda tem o oposto Anderson e o levantador Marcelinho, ambos de 32 anos.
É óbvio que a seleção será essa para o Pan do Rio, em seis meses, e para a Olimpíada de Pequim, em um ano e meio. E depois? O Brasil ainda terá os talentosíssimos Dante, 26, o canhoto André Nascimento e o meio Rodrigão, ambos com 27, até 2012. Dante foi eleito o melhor atacante do Mundial e André Nascimento brilhou na final contra a Polônia.
Mas como repor peças tão importantes quanto as que podem sair. Os pontas Murilo, 25, e Samuel, 22, são os mais jovens e têm sido convocados, com frequência, desde 2005. ''Em cinco anos de trabalho, tivemos vários momentos para experimentar atletas. Foi preciso repor peças para o lugar de Maurício, Giovane e Nalbert. A renovação já confirmou nomes como Murilo e Samuel'', observa Bernardinho. Mas ele admite que os jovens ainda precisarão de rodagem para atingir o nível dos craques atuais do grupo.
Treinar com a seleção de novos foi um passo para talentos como os meios Lucas, de 20 anos, e Sidão, 24, os opostos Evandro, 24, e Leandro, 22, e o levantador Bruno, 20. ''Foi importante para conhecerem o esquema de trabalho e perceberem que há diferença significativa entre eles e o grupo. Não mostraram que podem substituir à altura os atuais jogadores. Antes de 2008 não preciso mexer em peças, mas com certeza é fundamental preparar um grupo para a continuidade'', contou Bernardinho.

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