São Paulo - Quem conhece Bernardo Rezende, o técnico da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei, sabe que uma das suas características é o perfeccionismo. Berros, treinos até quase chegar à exaustão, caretas e muitas broncas são comuns no trabalho do treinador, que assumiu a equipe em 2001. Segundo ele, o melhor fundamento dos brasileiros é o ataque, no qual destaca o trabalho dos opostos André Nascimento e Anderson que, apesar de serem considerados baixos para os padrões internacionais, não devem perder a vaga para os Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto.
O que muita gente questiona é ''o que é, exatamente o oposto?'' O técnico Bernardinho explica: ''A posição se chama oposto porque o cara joga na posição oposta do levantador, ele está sempre cruzando com o levantador em qualquer posição que estiver na quadra. Esse jogador, em geral, é o cara das definições de pontos.''
Levantador da equipe, Ricardinho simplifica: ''O oposto é aquele cara de segurança, em quem o levantador tem de confiar. Ele precisa pontuar, sendo o passe bom ou ruim. Mas o Brasil está muito bem servido de jogadores nessa posição''.
Bernardinho ressalta: ''No nosso time temos o Anderson, que é mais baixo de todos os opostos (tem ''apenas'' 1,92 m), mas com uma grande capacidade física e capacidade de salto incrível. E também temos o Canha (apelido de André Nascimento, que é canhoto, com 1,95 m), que também não é muito alto mas tem braços longos e capacidade de alcance muito boa.''
O técnico destaca que o primeiro brasileiro a se destacar nessa posição foi Marcelo Negrão, campeão olímpico em Barcelona/92: ''Essa característica de ser um cara de definição ficou muito clara com o Negrão. Na geração de prata, em Los Angeles/84, nós tínhamos o Xandó, mas não havia essa condição de oposto, era chamado de intermediário''. Sobre os atuais destaques mundiais da posição, o treinador elogia Miljikovic, da Sérvia e Montenegro, e Milinkovic, da Argentina.

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