Berlim - A três meses de receber a estréia do Brasil na Copa, contra a Croácia, dia 13 de junho no Estádio Olímpico, Berlim ainda trata o Mundial com discrição. Nas ruas, praticamente não se vê referência à competição. Não há outdoors, cartazes, faixas, nenhum tipo de promoção.
Berlim não fala da Copa, mas trabalha duramente por ela. A cidade virou um canteiro de obras. Por todo lugar, é possível observar ruas e calçadas sendo refeitas no projeto está a colocação de canteiros em várias das avenidas que compõem o circuito histórico da capital alemã , assim como a restauração de prédios antigos, principalmente no lado oriental da cidade. Com isso, gigantescos guindastes passaram a fazer parte da paisagem local.
A população de Berlim, que irá receber seis partidas da Copa, inclusive a final, aprova as obras. Com ressalvas. É praticamente consenso de que se faz mais do que é necessário. ''Berlim quer mostrar na Copa que é uma cidade totalmente integrada, que Leste e Oeste são hoje realmente uma coisa só, que está tratando com dedicação e respeito o lado oriental e seus cidadãos. Por isso, as obras são vistas com bons olhos. Mas também nos parece que estão fazendo demais'', disse o cineasta Marcel Kluber.
Ídolo da cidade A discrição com que a Copa ainda está sendo tratada pelos moradores de Berlim transforma-se em entusiasmo quando o assunto é futebol. Os berlinenses se empolgam com Marcelinho Paraíba, ídolo do Herta ''Por que Parreira não o convoca?'', é a pergunta que os brasileiros mais ouvem e também com a seleção brasileira. Na loja da Nike, a camisa canarinho é a mais vendida. ''As cores são mais bonitas'', diz o simpático vendedor chamado Iram.
Ele mostra empolgado a sessão dedicada ao Brasil, aponta com orgulho para o tênis que veste com o número 58 estampado (''esse foi o ano que vocês ganharam o primeiro título'', informa) e logo revela seu artigo preferido: uma camisa em homenagem a Garrincha, com as palavras Mané, Pau Grande e o resultado Brasil 3 x 1 Checoslováquia, da final de 1962, nas costas. Preço: 40 euros.
''É linda, como tudo o que é do Brasil. Do outro lado da rua, não fazem tanto sucesso.'' Do outro lado está a loja da Adidas, fabricante do material da seleção alemã. Mas o movimento, percebe-se claramente, é bem menor. Na vitrine, um pôster gigante de um brasileiro, Kevin Kuranyi. ''Ele é alemão, mas aprendeu a jogar bola no Brasil. Quer coisa melhor?'', pergunta ou explica um vendedor da loja, que preferiu não dizer o nome.

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