As inúmeras repetições do belo gol que fez contra a Argentina (e que garantiu a classificação da Holanda para a semifinal) não entusiasmam o atacante Dennis Bergkamp. Fazendo jus ao apelido que ganhou da imprensa inglesa, ‘‘Ice Berg’’, o jogador trata o lance como fato normal. ‘‘Estou acostumado a receber longos lançamentos do Frank’’, disse. ‘‘Essa é uma das nossas principais jogadas.’’
Tal frieza deve se repetir na partida de hoje, contra o Brasil. Aos 29 anos e principal artilheiro da Seleção Holandesa (fez 36 gols em 62 jogos, uma média de 0,58), Bergkamp personifica o jogador ideal para o técnico Guus Hiddink. Habilidoso, consegue executar jogadas como a do gol contra a Argentina, em que dominou a bola, driblou o zagueiro e acertou o canto direito do goleiro. Eficiente, cumpre com fidelidade a tática executada pelo treinador, em que defende e ataca nos momentos certos.
Bergkamp é um dos principais incentivadores da tática. ‘‘Assim privilegia as características básicas de cada jogador’’, comenta. Contra o Brasil, o atacante prefere não fazer previsões. ‘‘Qualquer adversário em uma semifinal seria difícil e, em se tratando da Seleção Brasileira, a dificuldade aumenta.’’
O jogador acredita, porém, assim como o técnico Hiddink, que a equipe de Zagallo apresenta mais falhas que a de 1994. E ainda está mais defensiva. ‘‘O time não demonstrou as jogadas esperadas e teve dificuldade para vencer alguns adversários’’, disse Bergkamp. ‘‘Mesmo assim, é uma equipe com jogadores capazes de executar lances surpreendentes.’’
O estilo que consagrou o futebol brasileiro sempre norteou Bergkamp. Seus primeiros modelos, porém, foram caseiros - o atacante sempre elogiou Johan Cruyff e Marco van Basten. ‘‘Joguei seis meses com Marco e acompanhei a última temporada de Cruyff no Ajax’’, lembra. ‘‘Aprendi muito com eles, foram minha inspiração.’’
O primeiro grande ídolo foi, na verdade, um escocês. Quando Bergkamp nasceu, seu pai, Wim, fã ardoroso de Dennis Law, atacante do Manchester, resolveu homenageá-lo colocando seu primeiro nome no terceiro filho.
O atacante holandês sempre procurou aliar a força do futebol inglês com a habilidade do brasileiro. Desenvolveu assim um gosto irrepreensível pela beleza, a sofisticação aliada à eficiência. Jogador do Arsenal, foi eleito, em maio, o melhor atleta em atividade no futebol inglês.
A chance de disputar a final da Copa é um dos poucos motivos que o deixam eufórico. ‘‘Nossa melhor chance é agora’’, diz o atacante, que não planeja disputar o Mundial de 2002, no Japão e Coréia do Sul. Formado em Ciências Econômicas, ele quer continuar trabalhando com esporte.

mockup