Berger foi absoluto em Hockenheim
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domingo, 27 de julho de 1997
Livio Oricchio Agência Estado 
Três semanas depois de perder o pai em um acidente aéreo e de ser comunicado por sua equipe, a Benetton, que não ficaria no time em 98, o austríaco Gerhard Berger emocionou-se ontem ao vencer de forma incontestável o GP da Alemanha de F-1, no circuito de Hockenheim. O final de semana era mesmo o seu, em contraponto ao difícil momento pessoal e profissional que atravessa. No sábado estabeleceu a pole e, ontem, além de ganhar a corrida com enorme autoridade, fez a volta mais rápida. Cerca de 130 mil torcedores vibraram com a segunda colocação do alemão Michael Schumacher, da Ferrari, e com o erro do canadense Jacques Villeneuve, da Williams, o que ampliou a vantagem de Schumacher no Mundial. O finlandês Mika Hakkinen, da McLaren, completou o pódio.
Berger deu as costas para Flavio Briatore, quando o dirigente italiano da sua equipe, a Benetton, meio sem graça, foi lhe cumprimentar pela excelente vitória, ainda no parque fechado. Limitou-se a conversar com ele como se nada de tão extraordinário tivesse se passado momentos antes, desprezando-o. Depois, no pódio, de posse de uma garrafa plástica da Red Bull, tônico energético patrocinador da escuderia Sauber, olhou atentamente a posição do rótulo do produto para, quando o ergue-se, a marca se posiciona-se para a frente, para as câmaras de TV. Reação sintomática de quem está prestes a prosseguir na F-1 por uma nova escuderia: a Sauber. Berger é o máximo do marketing pessoal.
Senti todo o final de semana uma força especial dentro de mim, ainda que não me encontrasse bem fisicamente, disse. Consegui manter-me concentrado sem a menor dispersão.
Não fosse o erro de Jacques Villeneuve na 33ª volta, na freada da primeira chicane (Clark), quando era quinto na prova, a cara de Schumacher depois da corrida seria bem mais fechada. Ele e a Ferrari esperavam bem mais do que fizeram em Hockenheim. Com o primeiro jogo de pneus mantive-me próximo de Berger e logo atrás de Fisichella, mas ao deixar a pista após minha primeira parada (volta 22) sai atrás de Alesi, perdendo tempo e destruindo os meus pneus, explicou. Um pit stop de emergência teve de ser realizado na 40ª volta. Como na corrida da Austrália, o volume de gasolina que entrou no tanque no primeiro pit não foi o programado, provavelmente em razão do tanque (de borracha) ter dobrado.
Os três pilotos brasileiros não completaram o GP da Alemanha. Rubens Barrichello abandonou na 33ª volta com o motor Ford quebrado (estava em nono); Pedro Paulo Diniz, da Arrows, se acidentou com Johnny Herbert, da Sauber, na oitava passagem, ao tentar ultrapassá-lo; e Tarso Marques nem correu em razão da ruptura de semi-eixo na largada. Os três têm chances bem melhores de um bom resultado na próxima etapa, dia 10 de agosto, circuito de Budapeste, na Hungria.


