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Belo-horizontinos vencem o Londrina Open Wheelchair Tennis

O torneiro de tênis para cadeirantes é inédito no Paraná e terminou neste domingo (19); competição reuniu grandes atletas na modalidade

Micaela Orikasa - Grupo Folha
Micaela Orikasa - Grupo Folha

 

Belo-horizontinos vencem o Londrina Open Wheelchair Tennis
Isaac Fontana/FramePhoto/Folhapress
 



Terminou neste domingo (19), o Londrina Open Wheelchair Tennis, competição de tênis para cadeirantes, que movimentou as quadras do Londrina Country Club desde quinta-feira (16). A competição faz parte do circuito mundial de tênis em cadeira de rodas e garante pontos aos atletas para os rankings Mundial (ITF) e Nacional (CBT). 



Nesta competição inédita no Paraná, o vencedor da categoria Masculino foi Daniel Rodrigues, 34, de Belo Horizonte (MG). Ele é atleta número 1 do Brasil na modalidade Open de Tênis de cadeira de rodas e acaba de ser convocado para representar o País no Mundial de Cadeirantes por equipes na Itália, a partir do dia 27 de setembro. 



Rodrigues, que também já participou de três Paralimpíadas, esteve pela primeira vez em Londrina. Ele conta que o primeiro contato com o tênis foi há 15 anos, quando um professor de História o indicou para uma ONG que acolhe pessoas com deficiência. 



O campeão do Londrina Open Wheelchair Tennis nasceu com uma má-formação, passou por várias cirurgias e amputou a perna direita em 2013. Ele enfrentou o americano Jason Keatseangsilp na final. Para Rodrigues, torneios como este abrem portas para o esporte praticado por cadeirantes. "Acredito que o incentivo vem melhorando. É um processo lento, especialmente na questão de patrocínios, mas vejo que os clubes estão olhando mais para a participação de pessoas com deficiência", comenta. 



 

Daniel Rodrigues, 34, (à esq.) campeão no Masculino do Londrina Open Wheelchair Tennis, e o vice Jason Keatseangsilp
Daniel Rodrigues, 34, (à esq.) campeão no Masculino do Londrina Open Wheelchair Tennis, e o vice Jason Keatseangsilp | Isaac Fontana/FramePhoto/Folhapress
 



Um dos organizadores do torneio, Marcelo Tebet, comenta que pela pandemia da Covid-19, muitos atletas deixaram de participar do evento em Londrina. "Mas isso não reduz a importância desta competição. É a primeira vez que temos isso no estado e o desempenho dos atletas aqui garante pontos para o ranking mundial, além da premiação de U$ 3 mil", diz. Ao todo, o torneio reuniu 25 atletas, sendo 20 homens e cinco mulheres.     



No feminino, a grande campeã foi Meirycoll Duval, 26, de Belo Horizonte. O segundo lugar ficou com Maria Fernanda Alves, de Brasília (DF). Duval também representou o Brasil nas Paralimpíadas em Tóquio e irá para o Mundial na Itália com a seleção brasileira.



"Amo representar o meu País. Esse esporte mudou a minha vida e hoje é a minha profissão", conta a atleta, que pratica tênis em cadeira de rodas há 10 anos. "Nasci com uma deficiência na perna e o esporte sempre foi uma recomendação médica para eu não comprometer a movimentação do corpo todo. Já pratiquei mountain bike, basquete, mas minha paixão mesmo é o tênis", afirma. 



Duval diz que nos últimos anos, "a Confederação Brasileira de Tênis tem apoiado mais os atletas de base e, paralelo a isso, estamos tendo mais torneios pelo País, o que é muito importante para nós, já que para pontuarmos temos sempre que estar viajando, se deslocando", diz.

 

 

Meirycoll Duval, 26, (à direita) e Ana Caldeira, 22, acabaram de retornar das Paralimpíadas em Tóquio
Meirycoll Duval, 26, (à direita) e Ana Caldeira, 22, acabaram de retornar das Paralimpíadas em Tóquio | Isaac Fontana/FramePhoto/Folhapress
 


No Mundial, Duval vai encarar times muito fortes, como Japão, Holanda, Grã-Bretanha e China. Ela estará na seleção ao lado de Ana Caldeira, 22, que também participou do torneio em Londrina e das Paralimpíadas de Tóquio. "O nível dos jogadores no Mundial é muito alto. Vamos para cima porque sabemos que o desafio será grande", comenta a jovem, que perdeu os movimentos da pernas em um acidente de carro.


 

"Os médicos disseram que eu não iria nem conseguir me sentar, mas hoje estou aqui. Isso tudo é fruto de muito treino e dedicação. Decidi me profissionalizar neste esporte quando eu tinha 15 anos, dois anos depois do acidente. Fico muito feliz em saber que, de alguma forma, estou inspirando outras pessoas e espero que a nossa presença aqui ou em qualquer outra competição faça com que crianças, jovens e adultos saibam que é possível chegar onde se quer, que vale a pena buscar o sonho", afirma.    



REVELAÇÃO



Outro participante de destaque do Londrina Open Wheelchair Tennis é Felipe Ferreira Santana de Lima, 22. Ele é de Goiânia (GO) e pratica tênis em cadeira de rodas há oito anos. O jovem atleta foi vítima de bala perdida e conta que durante o socorro, na ida ao hospital, viu um outdoor de uma ONG da cidade que acolhe pessoas com deficiência e promove a inclusão através do esporte.


Lima começou a treinar e se apaixonou pelo tênis. Agora, ele vai viajar pela primeira vez para fora do Brasil, fazendo o que mais gosta. 


 

Felipe Ferreira Santana de Lima, de 22 anos, vai representar a seleção brasileira, pela primeira vez, no Mundial de Cadeirantes na Itália
Felipe Ferreira Santana de Lima, de 22 anos, vai representar a seleção brasileira, pela primeira vez, no Mundial de Cadeirantes na Itália | Micaela Orikasa/Grupo Folha
 



"Fui convocado para o Mundial na Itália, há cerca de duas semanas e estou muito feliz. Agora meu sonho é ir para as Paralimpíadas 2024. Só o fato de poder estar com esses atletas já consagrados é uma forma de não deixarmos de sonhar. O caminho é difícil, mas não impossível", conta. 



O Londrina Country Club tem tradição em grandes eventos do tênis e organiza há 34 anos um dos principais torneios da categoria infanto-juvenil da América do Sul e que faz parte do circuito internacional. (Colaborou Lucio Flávio Cruz)



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