Bellintani revela qual foi o maior erro do Londrina no ano
Dono da SAF aponta falhas na montagem do elenco, defende a permanência de Lucas Magalhães e descarta contratar um novo CEO para 2027
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Dono da SAF aponta falhas na montagem do elenco, defende a permanência de Lucas Magalhães e descarta contratar um novo CEO para 2027

O dono da Squadra Sports, empresa que administra a SAF do Londrina, Guilherme Bellintani, reconheceu que os erros nas contratações foram o principal problema da equipe na temporada de 2026. Em sua primeira manifestação pública após o rebaixamento à Série C do Campeonato Brasileiro, nesta quinta-feira (29), em Londrina, o dirigente apresentou uma avaliação interna do elenco e explicou por que considera que o planejamento esportivo fracassou.
Segundo os dados exibidos à imprensa antes da entrevista coletiva, o clube contratou 41 jogadores ao longo do ano. Desse total, apenas cinco superaram as expectativas da diretoria, enquanto 11 tiveram desempenho considerado dentro do esperado e 15 ficaram abaixo da avaliação inicial. Outros dez não foram avaliados por não terem atingido a minutagem necessária para uma análise.
A defesa foi o setor com pior resultado entre os reforços. Dos oito jogadores contratados para a posição, apenas 38% receberam avaliação positiva, conforme o levantamento apresentado por Bellintani.
“Esse é o centro do nosso problema em 2026. É o que mais a gente deve explicação à torcida: como a gente errou tanto em contratação?”, afirmou.
Folha salarial menor aumenta margem de erro, diz dirigente
Bellintani argumentou que a limitação financeira do Londrina em comparação com outros clubes da Série B contribuiu para os erros de planejamento. Segundo ele, a SAF trabalha com uma folha salarial inferior à de concorrentes que conseguem investir valores maiores na montagem do elenco, inclusive com recursos que comprometem receitas futuras.
O dirigente afirmou que o Londrina tinha apenas três jogadores com salários superiores a R$ 100 mil na reta final da temporada. Como exemplo, citou a dificuldade de contratar atletas para as pontas com remunerações entre R$ 50 mil e R$ 60 mil, enquanto outros clubes teriam jogadores titulares e reservas com salários entre R$ 120 mil e R$ 150 mil.
Apesar da justificativa financeira, Bellintani reconheceu que o orçamento não explica sozinho o desempenho abaixo do esperado.
“Dentro disso, a gente ainda errou muito mais do que deveria. A gente trouxe jogadores de R$ 60 mil, de R$ 80 mil, de R$ 50 mil que deveriam jogar como jogadores de R$ 50 mil, R$ 60 mil, R$ 80 mil e não jogaram”, declarou.
Na avaliação do dirigente, o clube apostou em três perfis que não deram o retorno esperado, que eram jogadores experientes e considerados consolidados, atletas que disputavam a Série B pela primeira vez e jovens vistos como promessas. A diretoria agora pretende revisar as decisões tomadas na montagem do elenco e identificar falhas nos critérios de avaliação.
“Para mim, esse foi o erro principal de 2026, foi a frustração na formação do nosso elenco. Esse foi o erro principal, que é o que a gente tem que corrigir e trabalhar para que, no ano que vem, o torcedor siga acreditando”, disse.
Lucas Magalhães será mantido na estrutura
Mesmo após o rebaixamento e as críticas de parte da torcida, Bellintani afirmou que pretende manter a estrutura do departamento de futebol para 2027, incluindo o executivo Lucas Magalhães. O dirigente também defendeu a continuidade do trabalho, em vez de promover mudanças imediatas para responder à pressão externa.
Segundo ele, a responsabilidade pelo rebaixamento deve ser atribuída ao conjunto de decisões tomadas pela gestão, e não a um único profissional.
“Eu podia hoje demitir Lucas, demitir Dado (Cavalcanti, diretor esportivo da Squadra Sports), demitir qualquer pessoa, ser aplaudido na rede social. Mas a pessoa que vem vai ter que reaprender a cidade, entender de novo quais foram os erros que a gente cometeu, refazer um planejamento, começar tudo do zero”, afirmou.
Bellintani disse que a diretoria fez uma revisão das contratações, incluindo as avaliações individuais dos jogadores e as posições de cada integrante da gestão durante o processo de escolha. O objetivo, segundo ele, é reconhecer os erros e evitar que se repitam na próxima temporada.
“A gente sabe quem errou mais e quem errou menos nos diagnósticos. E, depois que a gente faz essa análise, vê que o rebaixamento é responsabilidade do nosso trabalho conjunto, e não de uma pessoa específica”, declarou.
Londrina não terá novo CEO em 2027
Outra mudança na estrutura administrativa será a decisão de não contratar um novo CEO para o clube. O cargo foi ocupado anteriormente por Paulo Assis, que deixou o Londrina em 2025 para trabalhar no América-MG. Depois, Armando Chekerdemian assumiu a função, mas saiu em julho de 2026.
Bellintani afirmou que a estrutura atual atende às necessidades da SAF e destacou o trabalho de Natália Cotrim, gerente de marketing do clube. Na avaliação do dirigente, a profissional tem contribuído para os resultados comerciais e poderá ganhar mais espaço na organização administrativa.
“A gente vai para 2027 sem uma contratação de CEO, o que para a gente está funcionando muito bem. A gente tem uma profissional aqui, a Natália, que, na estrutura anterior, tinha um potencial enorme que estava subaproveitado”, afirmou.
O dirigente também disse que considera suficiente a atual organização dos departamentos administrativo, financeiro, comercial e de futebol. Para ele, a necessidade de mudanças não está relacionada à quantidade de profissionais, mas à qualidade das decisões tomadas na formação do elenco.
“O que faltou em 2026 não foi profissional em Londrina, o que faltou foram boas escolhas nas contratações”, concluiu.


Matheus Camargo
Jornalista


