Belinati retira a ajuda financeira e o Londrina ameaça desmanchar time
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quarta-feira, 21 de outubro de 1998
Nelson Cilo 
Nem bem curtiu a ressaca da vitória sobre o ABC - 4 a 3 nos pênaltis, depois do empate de 1 a 1 no tempo normal, anteontem à noite, no Estádio do Café, resultado que levou o time à próxima fase da Série B do Brasileiro - o Londrina entrou em crise. Motivo: o prefeito Antonio Belinati informou ontem que decidiu interromper qualquer tipo de ajuda financeira ao clube.
Belinati apenas manteve a promessa de repassar R$ 30 mil aos jogadores pela vaga assegurada. Recentemente, o prefeito disse que entregaria mais R$ 30 mil pela eventual classificação na próxima fase e R$ 300 mil pela conquista do título, mas voltou atrás. Segundo ele, tudo fica sem efeito, inclusive os recursos mensais de R$ 100 mil antes destinados à folha de pagamento.
Belinati falou à Folha às 20h30 de ontem quando retornava de Brasília, de carro. Ele se encontrava nas imediações da cidade goiana de Anápolis. Estou aqui na estrada debaixo de muita chuva, contou.
O prefeito acha que, nas atuais circunstâncias, o Londrina tem condições de caminhar com as duas próprias pernas, lembrando que sai de cena num instante em que o time vive um clima de alto astral. Eu não abandonaria o barco se a equipe estivesse mal. Ao contrário: asseguramos a vaga e podemos até subir para a Série A. A atual diretoria tem prestígio e pode conseguir retaguarda financeira da iniciativa privada, acredita o prefeito.
Belinati entende que deu o necessário apoio para que o Londrina começasse a caminhar sozinho. O clube não pode mais depender do poder público nem do Belinati. É preciso que a cidade participe da nova fase do time. Se o Londrina é a paixão de todos, que todos o ajudem a seguir em frente...
Belinati nega que a repentina decisão de se afastar do Londrina esteja vinculada às críticas políticas a ele dirigidas pelo coordenador-geral do clube, Célio Guergoletto, também vereador pelo PMDB. As críticas foram publicadas nos jornais de ontem. Ou que seria uma atitude estratégica para evitar uma interpelação judicial cobrando a origem do dinheiro - supostamente de empresários - que até agora permitiu a sobrevivência do Londrina. Como estou viajando, desconheço que o Célio tenha me criticado ou que pretendem me interpelar sobre isso ou aquilo. Não me preocupo. Não tenho nada a esconder, afirmou o prefeito.


