Depois de suspender a ajuda financeira que permite a participação do Londrina no Campeonato Brasileiro da Série B, o prefeito Antonio Belinati (sem partido) voltou atrás e manteve ontem a promessa de repassar os recursos que ele havia prometido anteriormente. A tempestade que chegou a estragar a comemoração da vaga sobre o ABC de Natal - vitória de 4 a 3 nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal, na terça-feira à noite - durou apenas dois dias.
Ontem à tarde, Belinati recebeu os dirigentes do Londrina (Célio Guergoletto, Antonio Amaral, Dorival Pagani, Iran Campos e Fábio Scaff) para confirmar que estão mantidos R$ 100 mil mensais da folha salarial, R$ 30 mil referentes à vaga assegurada durante o playoff, mais R$ 30 mil se o time passar para o quadrangular final e R$ 300 mil aos jogadores pela vaga na Série A. Só que o Londrina vai entregar à Prefeitura as rendas obtidas no mesmo período em que obtiver auxílio, além dos R$ 60 mil que receberá da CBF, caso conquiste o título. A diretoria ainda pretende lançar o Disque-Torcedor, destinado a angariar fundos para o pagamento de prêmios aos atletas.
Antes de recuar da decisão que tumultou o ambiente no clube e na cidade, o prefeito exigiu que apresentassem uma planilha de despesas previstas até o encerramento da atual temporada. Discutiu-se, inclusive, a possibilidade de se enviar à Câmara um projeto, em ‘regime de urgência’, para a liberação de uma verba de R$ 360 mil ao Londrina, embutindo-se diferentes gastos. Não houve necessidade.
A reunião que colocou um ponto final na crise começou às 15 horas e terminou às 17 horas de ontem, no gabinete do prefeito. Apesar da insistência dos repórteres, Belinati recusou-se a explicar os motivos que o levaram a romper temporariamente a suposta intermediação que ele faz ‘entre o Londrina e alguns empresários, que anonimamente dariam retaguarda ao clube’. ‘‘Na minha frente, ele (Belinati) telefonou para três empresários e pediu que a ajuda não fosse interrompida’’, contou o presidente do Conselho Deliberativo, Antonio Amaral.
Se Belinati não disse uma única palavra a respeito do conflito, Amaral deixou claro que ‘‘tudo não passou de intriga política’’. Segundo Amaral, tentaram convencer Belinati de que o coordenador-geral do clube, Célio Guergoletto, vereador do PMDB e possível candidato a prefeito nas próximas eleições municipais, iria iniciar uma ‘‘sistemática oposição’’ a ele. ‘‘Esclarecemos o mal-entendido provocado pelas costumeiras fofocas dos inimigos do Londrina’’, comentou o presidente do Conselho Deliberativo.
Guergoletto também atribuiu a crise aos boatos de que ele ‘‘faria isso e aquilo’’ contra Belinati. ‘‘O prefeito conhece bem minhas posições e sabe que não misturo futebol e política. No clube, defendo uma entidade que não pertence a mim nem ao Belinati, mas à cidade e aos torcedores, que somos todos nós. Na Câmara, estou sempre de olho nas pautas. Minha briga é outra’’, comparou o dirigente.
Guergoletto até ameaçou renunciar ao cargo, se o pivô da crise fosse ele. ‘‘É preciso que o Londrina esteja acima das vaidades pessoais’’, afirmou o dirigente e vereador. Nas atuais circunstâncias, seria mais cômodo ir embora. Se ganhássemos o título, eu comeria um pedaço do bolo. Se perdêssemos, sobraria o charuto na minha boca...’’Josoé de CarvalhoEnfim, juntosGuergoletto (E), Pagani (C) e Belinati (D) durante solenidade ontem na prefeitura: ‘intrigas políticas’Nelson Cilo

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