Spa-Francorchamps, 27 (AE) - Bernie Ecclestone, o promotor da Fórmula 1, os donos das equipes e os diretores da empresas de tabaco, maiores financiadoras do evento, estão em pé de guerra com os organizadores do GP da Bélgica. E deixam claro: "Este pode ser o último GP no país." Todos desejam fazer valer o acordo de permitir a publicidade de cigarros, de repente não mais válida para a prova.
Esta noite foi tentada uma negociação de emergência, envolvendo a organização do GP da Bélgica, autoridades da região do circuito, Valônia, e representantes do governo federal, defensor da proibição da propaganda. Ecclestone pretendia transmitir os treino de classificação, amanhã, e deseja que também domingo, na corrida, os carros possam divulgar as marcas de cigarros de seus investidores. Ele não quis comentar nada, hoje, sobre o que se passava. Amanhã será conhecido o resultado do encontro.
No início da semana, diante do impasse jurídico criado entre o governo federal belga e a administração da Valônia, os próprios advogados das empresas de tabaco orientaram os donos das equipes a não usarem a publicidade de cigarros nos carros. A história é simples: o governo belga não acatou a determinação da Comunidade Européia de permitir esse tipo de propaganda até o ano 2006. A prova esteve até ameaçada em razão da postura intransigente do país.
O governo da região da Valônia encontrou uma saída para viabilizar o evento, criando uma lei local que autoriza em algumas competições esportivas, como a da Fórmula 1, a publicidade tabagista. Ocorre que a ministra da Proteção ao Consumidor, da Saúde Pública e do Meio Ambiente, Magda Aelvoet, ameaçou com pesada multa a organização do GP se o os carros estivessem expondo as marcas de cigarros.
O promotor da lei local que defende a realização da corrida, Michael Foret, não concorda com a instrução da ministra, que julgou a lei local contrária a orientação da legislação federal. Como esse impasse jurídico será decidido apenas dia 3 de setembro, o GP da Bélgica está sofrendo as consequências. O que interessa agora para as equipes é, conforme o já acertado previamente, atender as empresas que colocam milhões de dólares para promover suas marcas de cigarros.
A prova só está se realizando porque houve esse acordo. Como Ecclestone, os dirigentes das escuderias não estão falando sobre o assunto, até por orientação dos seus advogados. A Ferrari tem no seu F399 a inscrição Formula Onde onde antes havia Marlboro, marca da Philip Morris. Já a McLaren pintou o nome de seus pilotos no local de West, de propriedade do grupo Reemtsma. A Williams repetiu seu nome nos carros, Williams F-1, em substituição a Winfield, da Rothmans, dentre outros.
A expressão de surpresa e descontentamento de Ecclestone, em Spa, não deixa dúvida: a não ser que daqui para a frente haja garantias escritas de todas as instâncias, o GP da Bélgica não será mais disputado. E a Fórmula 1 privada de um dos seus mais desafiantes espetáculos, pela seletividade do mais exigentes dos circuitos do calendário: Spa-Francorchamps. Tudo o que a Fórmula 1 deseja é a observação do deliberado pela Comunidade Européia.

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