Depois de 21 anos sob o comando do espanhol Juan Antonio Samaranch, o Comitê Olímpico Internacional tem novo líder: o belga Jacques Rogge. O novo presidente, símbolo de uma hegemonia européia no esporte e da continuidade do trabalho de seu antecessor, promete lutar ‘‘contra o doping, a corrupção e a violência’’ no esporte.
Rogge é médico cirurgião ortopedista, tem 59 anos e fala cinco idiomas (alemão, francês, inglês, holandês e espanhol). Em sua carreira esportiva disputou as provas de iatismo da classe Finn em três olimpíadas e foi ex-campeão mundial da modalidade.
O novo comandante do esporte internacional venceu a disputa por ampla maioria na segunda rodada de votações do Conselho do COI, encerrado ontem em Moscou, Rússia. Na primeira, obteve 46 votos, contra 21 do sul-coreano Kim Un Young, 20 do canadense Richard Pound, 11 do húngaro Pal Schmitt e 9 da norte-americana Anita DeFrantz, que foi eliminada. Na passagem seguinte, Rogge teve 59 votos, Young 23, Pound 22 e Schmitt 6.
A eleição de Rogge gerou reações emocionais. Un Yong sequer acompanhou a votação. Ficou confinado em seu quarto de hotel e não poupou críticas ao Comitê de Ética do COI, que às vésperas da eleição exigiu explicações sobre uma suposta proposta de instituir uma verba administrativa anual de US$ 50 mil para cada um dos membros da entidade. Ao saber do resultado final Pound colocou à disposição seu cargo de chefe da Agência Mundial Anti-Doping e integrante da Comissão de Marketing do COI. Pound não esconde que esperava encontrar em Samaranch um aliado à sua candidatura, porém não considerou a decisão do espanhol de apoiar Rogge uma traição.

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