Beisebol tenta retomar seu caminho
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quinta-feira, 04 de dezembro de 2008
Renato Oliveira<br>Equipe da Folha 
Londrina - Neste fim de semana, Londrina vai sediar o 13º Campeonato Brasileiro de Beisebol Pré-Infantil. De sexta a domingo, a Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) recebe 23 delegações dos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso. A disputa é pelo último torneio oficial do ano da Confederação Brasileira de Beisebol e Softboll, que só retorna às suas atividades em março de 2009. A faixa etária dos atletas, que é de 9 a 10 anos, forma a categoria mais importante de um esporte desconhecido do grande público, mas que tem uma história de sucesso esquecida no seu passado.
''O fundamental para quem quer ser atleta é começar desde criança'', afirma Francisco Tan, presidente da Federação Paranaense de Beisebol e Softboll. Ele elenca as categorias pré-infantil, infantil, pré-júnior, júnior e juvenil como a base de formação dos jogadores. ''Mas antes de começar a treinar sério, hoje tem o T-Ball para crianças entre 5 e 8 anos. É como uma pré-escola, para fazer o jovem gostar do beisebol primeiro e depois sim praticar'', explica.
Na prática, um jogo de beisebol é dividido em dois times formados por nove jogadores que se alternam no ataque e na defesa. São nove tempos (innings) e enquanto um time rebate e tenta pontuar dando uma volta completa pelas bases, o outro arremessa a bola e se defende do ataque adversário. Quando a jogada é indefensável acontece o ponto máximo do jogo - o home run. ''A batida costuma ser muito forte e a bola é rápida. A velocidade média do arremesso é de 90 quilômetros por hora. Depois da rebatida ela chega a ultrapassar os 130, sem contar as curvas e os efeitos que a bola faz'', exemplifica Tan.
O condicionamento físico é fundamental para o atleta conseguir acompanhar o ritmo do jogo. É por este motivo que o beisebol deve ser praticado desde a infância. Porque quando chegar a fase juvenil, que vai dos 15 aos 18 anos, ele estará no auge da sua carreira. ''É a fase em que o atleta tem o maior potencial de jogo, porque está no melhor momento do seu preparo físico, que é cumulativo'', analisa o presidente da Federação.
Mas os atletas costumam parar de jogar aos 18 anos, por conta de obrigações como família, trabalho e estudos. Por isso, não existe uma categoria adulta em atividade no País e esse é o principal entrave para a profissionalização do beisebol. ''Eu costumo dizer que é um esporte praticado por abnegados e fanáticos. Mesmo em São Paulo, que possui alguns times patrocinados por empresários, o máximo que se consegue alcançar é o estágio de semi-profissional'', critica.
Em Londrina, há até quatro anos atrás os praticantes do ''yakiú'', que é o significado de beisebol em japonês, contavam com uma pequena ajuda da Fundação dos Esportes. O patrocínio trouxe resultados positivos e dois atletas foram contratados para jogar em times do Japão e Estados Unidos - considerados as potências mundiais do esporte. ''Nessa época ainda dava para revelar jogadores novos com potencial. Mas a Fundação nos deixou de lado, e por isso ficou ainda mais difícil'', reclama.
Mesmo após conquistar dois títulos mundiais - da categoria infantil (até onze anos), em 1990, no Japão, e três anos depois o de juniores (quinze e dezesseis anos), em Londrina, um bom número de praticantes não se manifestou. Mas o aumento de atletas brasileiros, que hoje é de 40%, pode ser a luz no fim do túnel para a profissionalização. ''Isso mudou o panorama do beisebol. Antes, os japoneses eram maioria, mas como são mais baixinhos estão em desvantagem quando comparados aos brasileiros. Isso ajuda a desenvolver um atleta com musculatura maior e agiliza o ritmo do jogo'', analisa.


