Para um País tão acostumado com uma bola de futebol em um esporte praticado com os pés fica muito difícil compreender as regras de modalidades menos populares. Ainda assim, o beisebol, que atrai a atenção de milhões de pessoas, principalmente nos Estados Unidos e no Japão, é um esporte que causa muita curiosidade em Londrina. Aliás, a cidade é uma das mais fortes representantes da modalidade no Brasil.
É o que diz Lucy Bando, secretária da área de beisebol da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) e responsável pela estatística da Confederação Brasileira de Beisebol, que exerce os cargos já há 15 anos. De acordo com Lucy, Londrina é um forte pólo da modalidade no Brasil devido a forte colonização japonesa na região. ''Sempre tivemos equipes nos campeonatos nacionais e atletas nas seleções brasileiras'', afirmou.
Um desses jogadores londrinenses na seleção é o também treinador Márcio Suzuki, 25 anos, que treina há 12 anos na Acel. E ele explica que, para conseguir ser um bom atleta na modalidade são necessárias muita disciplina e dedicação. ''Além disso, não é todo mundo que pode jogar beisebol. O cara que não é atleta não dá pra jogar'' explicou.
Ronaldo Bando, 21, que também é treinador e figura entre os suplentes da seleção brasileira tanto ele como Suzuki ficaram à disposição dos representantes brasileiros nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em caso de alguma lesão dos atletas que foram para a República Dominicana , concorda com Suzuki. Mas, de acordo com ambos, a maior dificuldade é a falta de profissionalismo na modalidade no Brasil.
Como não há equipes que pagam os jogadores com salários adequados e o beisebol ainda é considerado amador, muitos param de jogar aos 16 ou 17 anos, quando têm de enfrentar a maratona de estudos para o vestibular. ''Os times profissionais do Brasil, que estão em São Paulo, pagam, no máximo, a casa, a alimentação e também arranjam um emprego ou pagam a faculdade do jogador'', disse Suzuki.
Os atletas mais bem-sucedidos no Brasil acabam indo para Ibiúna, no interior paulista, para um temporada de avaliações em uma estrutura profissional. Olheiros de vários países passam pelo centro de treinamentos para escolher jogadores. E só assim, os jovens que sonham viver do beisebol conseguem trilhar o tão almejado caminho do sucesso sem deixar a modalidade para estudar ou trabalhar.
E, mesmo com a possibilidade de se dedicar ao beisebol apenas como hobby ou sem grandes expectativas de atuar profissionalmente, Bando não desanima. ''Só ter uma equipe competindo aqui já é uma grande vitória'', frisou.

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