Agência Folha
De Tóquio, Japão
Os sul-americanos foram os que mais conquistaram o Mundial interclubes desde que ele começou a ser disputado no Japão, em 1980. Foram dez títulos de clubes da América do Sul, contra nove dos europeus. Apesar disso, somente pela segunda vez nos anos 90, os europeus terão que dividir a torcida no estádio Nacional. A última vez que um time sul-americano contou com tanto apoio foi em 1993, quando o São Paulo, de Telê Santana, bateu o Milan (Itália), por 3 a 2. Isso porque no ano anterior a equipe, até então completamente desconhecida entre os japoneses, havia conquistado o título ao vencer o temido Barcelona (Espanha), por 2 a 1, com dois gols do meia Raí.
Agora, o motivo é outro. Especialmente dois jogadores – Zinho e César Sampaio – e o técnico Luiz Felipe Scolari são idolatrados no país. Os dois primeiros pela passagem pelo futebol local, no Yokohama Flugels, e pela conquista da Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 94, caso apenas de Zinho. O último por seu estilo disciplinador e rigoroso, aspectos cultuados no Japão. Evair, Euller e Edmílson já tiveram passagem pela J-League.
Do lado do Manchester United, ninguém jogou no Japão. Mas, mesmo assim, a maior parte do estádio deve estar de vermelho e branco. O time inglês tem recebido um assédio superior ao dos palmeirenses, motivo pelo qual ganha espaço maior da mídia japonesa. ‘‘Os campeonatos europeus contam com as maiores estrelas mundiais e são os mais transmitidos no país. E os japoneses se apegam mais a ídolos do que ao futebol deles’’, diz Tomoko Sasaki, editora do ‘‘Hochi’’, referindo-se ao meia David Beckham, casado com a cantora Victoria Adams, do grupo Spice Girls.

mockup