Bebeto quer agora um parceiro forte para o Atlético-MG
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 09 (AE) - O ex-técnico da seleção brasileira de vôlei masculino, Bebeto de Freitas, de 49 anos, foi contratado pelo Atlético-MG, em maio, para o cargo de diretor-executivo do time, em condições bem diferentes das que teve o amigo Zé Roberto, do Corinthians. Além da missão de idealizar e colocar em prática um grande projeto de marketing esportivo e de busca de patrocínios e parcerias, Bebeto tinha a incumbência de ajudar os dirigentes na reestruturação financeira do clube.
Ao contrário do Corinthians, com dinheiro em caixa e um grande plantel, o Atlético-MG acumulava dívidas superiores a R$ 20 milhões, registrava déficits seguidos em suas contas mensais e tinha um grupo de jogadores sem estrelas.
"Desde o início, tratamos de buscar meios para melhorar a caótica situação financeira do clube, herança da administração anterior à do presidente Nélio Brant", diz Bebeto.
"Apesar disso, conseguimos, com a colaboração de alguns clubes, como Palmeiras e Vasco, reforçar o plantel, comprando o passe do goleiro Velloso e trazendo por empréstimo o artilheiro Guilherme, o atacante Adriano, o lateral Marcão e o zagueiro Gélson", acrescenta. Para o segundo semestre, o investimento total na equipe, que chega agora às finais do Brasileiro, foi "inferior a R$ 2 milhões", segundo Bebeto.
Em relação ao ajuste financeiro, uma das primeiras medidas foi retirar os jogos da equipe do Mineirão, onde as altas taxas cobradas pela Ademg, empresa que administra o estádio, consumiam mais de 60% das rendas. "Montamos uma parceria com o América Mineiro, dono do Independência, aumentamos a capacidade do estádio e passamos mandar lá os nossos jogos no Brasileiro", conta.
A mudança durou pouco: em setembro, depois de uma briga entre torcedores e policiais militares, no final de um jogo com o Vitória-BA, o estádio foi interditado pela CBF e o Atlético teve de voltar ao Mineirão. Só que, por ordem do governador Itamar Franco (PMDB), parte das taxas do estádio foram reduzidas e o time se beneficiou.
"Hoje, apesar de sermos líderes de público no Brasileiro, ainda administramos o clube com sacrifícios e pequenos déficits mensais, mas mantemos a folha de pagamento em dia e vemos luz no fim do túnel", afirma Bebeto, que pode anunciar, em breve, a assinatura de um grande contrato de parceria para o clube. "A campanha que o time está fazendo no campeonato, com a possibilidade de chegar ao título, com certeza nos ajuda neste sentido", ressalta o diretor, que tem a consultoria da economista Helena Landau, ex-BNDES, na busca do parceiro.
EXPERIÊNCIA - Bebeto começou a atuar na área de marketing esportivo no final dos anos 70, quando trabalhava em um clube de vôleibol de Santa Barbara, na Califórnia (EUA). Quando retornou ao Brasil, foi chamado para trabalhar na companhia de seguros Atlântica Boa Vista, que depois viraria o banco Bradesco.
"Foi uma grande experiência, porque pela primeira vez no Brasil aplicamos o conceito de clube-empresa, montando times de vôlei, basquete, atletismo, natação, tênis e dando grande retorno ao patrocinador", lembra. O convite para o Atlético-MG veio em boa hora. "Eu queria desenvolver um trabalho com futebol e a proposta dos dirigentes atleticanos surgiu no momento certo", diz. Curioso é que, por pouco, Bebeto não seguiu para o Corinthians, adversário da equipe mineira na final do Brasileiro e no qual atua seu amigo e colega de vôlei Zé Roberto, a quem conhece desde o início dos anos 70.
"Quando me procuraram, eu já tinha acertado com o Atlético", afirma. Para os próximos meses, independentemente do resultado do Brasileiro, a intenção de Bebeto é aumentar a receita do clube e preparar o time para a disputa da Libertadores de 2000, na qual os mineiros estarão pela quarta vez.


