Batatas, frango e um sonho na Romênia
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sábado, 12 de abril de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
O sonho da esmagadora maioria dos boleiros brasileiros é jogar na Europa. No mundo do futebol, o velho continente virou sinônimo de fama e fortuna, mas nem sempre é assim. Há também o outro lado do mercado europeu da bola, bem menos glamouroso, mas não menos importante. Um lado que é alimentado por sonhos, dificuldades e a esperança de um dia mudar passar para o outro lado. É o caso de Roberto Bessa, 27 anos, atacante do FC Bihor Oradea, da Segunda Divisão da Romênia.
Há um ano e quatro meses no sudeste europeu, o ex-jogador de Londrina e Portuguesa Londrinense já passou pelas duas principais divisões do País e mantém aceso o sonho de aparecer para uma equipe maior.
Roberto é um exemplo típico de quem cansou de se sujeitar às mazelas do pobre futebol do interior brasileiro e decidiu desbravar o mundo. Cansado de calotes no Brasil, foi tentar a sorte na Romênia. ''Vi que era hora de partir, de aceitar o desafio de jogar fora do País. Era a minha chance de ganhar um pouco mais'', contou.
Na Romênia, o salário não era astronômico, mas bem maior do que os R$ 500 que recebia na Lusinha, seu último clube. Nos quatro meses em que defendeu o Cetatea Suceava, da Segunda Divisão, faturou US$ 6 mil - cerca de R$ 12 mil na época - além dos prêmios por gols e vitórias.
Com o fim da temporada, se transferiu para o FC Ceahlaul da Primeira Divisão, com um salário maior. Mas retornou à Segundona, para defender o FC Bihor Oradea. ''O treinador contratou jogadores dele e eu vi que não ia ter oportunidade de jogar. Me fizeram uma proposta parecida com a que eu ganhava e, por isso, decidi trocar de clube. Ganho o mesmo salário, mas tenho contrato de três anos. Porém, os prêmios na Primeira Divisão eram maiores'', contou o jogador, paulista de Hortolândia.
Neste período de Romênia, a vida dele não foi e não é nada fácil. Saiu do verão do quente Norte paranaense e desembarcou na Europa debaixo de neve e sem saber uma palavra sequer em romeno. Nem ao menos o inglês ele sabia. ''Cheguei a treinar com 15 graus negativos. Fica parecendo que você está com gesso no pé, fica congelado. Pelo menos nunca fiquei doente. Graças a Deus, nem a gripe me pegou'', descreveu.
Roberto aprendeu rápido a falar frango e batata no idioma local. ''Aqui eles comem muito batata, frango e sopa. Alguns cardápios tinham foto e era só apontar, mas eu aprendi rápido a pedir frango e e batata'', lembrou.
Entretanto, as dificuldades já são passado. Roberto conseguiu se adaptar ao frio e à cultura local. Aprendeu a comer sopa todo dia no almoço e a fazer os gols que podiam lhe garantir um salário maior e um pulo para um time maior. ''Já falo fluentemente o idioma e já me acostumei com o clima daqui e com a cultura. Tem que se adaptar, não é?'', garantiu.
Cerveja
Na Romênia, o atacante também aprendeu a se hidratar após os jogos de maneira diferente. O isotônico deu lugar a uma outra bebida não muito recomendada aos esportistas, feita à base de cevada. ''Aqui se bebe muito vinho e, principalmente, cerveja. Eles bebem cerveja até no vestiario. Depois dos jogos os diretores dão cerveja para os jogadores. O treinador do Ceahlaul me viu bebendo Gatorade e disse que eu tinha que estar bebendo era cerveja. Toda semana, quando faziamos relaxamento, alguém pagava a cerveja para todos'', revelou.
Roberto é o único estrangeiro do time, mas nem por isso deixa de fazer um churrasco de vez em quando. ''Às vezes o pessoal vem aqui em casa e fazemos um churrasco, tomamos uma cerveja'', disse, antes de reconhecer que a saudade do Brasil é um dos principais adversários. ''É muito ruim ficar longe de casa. Mas temos férias duas vezes por ano para matar a saudade''.
A antiga namorada foi embora. Não suportou a distância e o deixou. ''Batalhei muito para chegar até aqui e não posso desistir. Estou conseguindo ajudar a minha família e vou continuar lutando aqui. Só volto ao Brasil se tiver proposta boa e confiável. Não adianta voltar e não receber nada'', observou.


