Batalha tática na Regata do Descobrimento
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por Julio Cruz Neto 
Cabo Verde, 29 (AE) - A largada da terceira perna da Regata do Descobrimento foi uma batalha tática. Para uma travessia de cerca de duas semanas, entre Cabo Verde e Salvador, segundos e até minutos costumam ser insignificantes. Mesmo assim
os veleiros fizeram de tudo para sair na frente.
"O Viva saiu na frente e nós logo atrás. Mas fizemos uma estratégia melhor e passamos", disse por rádio Rogério Augusto Alves, tripulante do Papa Léguas: "Eles armaram o balão e tiveram que arribar rumo à Ilha de São Vicente (Cabo Verde). O vento estava de rajada e tiveram que trocar as velas três vezes. Nós não." Papa Léguas e Viva são os dois veleiros brasileiros que disputam a regata com os portugueses Mariposa e Marujo. A vela balão dá mais velocidade com vento de popa, mas limita as opções de manobra do barco, deixando o velejador com poucas opções de rumo a seguir.
Enquanto Rogério dava seu depoimento, a tripulação do Viva estava na escuta. Do seu veleiro, Didado Azambuja prontamente negou que tivesse cometido algum erro de estratégia: "Estávamos era trabalhando, foi isso. Temos muita energia para dar e vamos dar trabalho para os outros." O Viva está em segundo lugar, com seis pontos, ao lado do Mariposa. O Marujo lidera com dois e o Papa Léguas é o último, com 11.
Rogério, do Papa Léguas, contou também que o Mariposa teve problema com o balão. Antônio Castanheira, skeeper do barco português, confirmou em termos: "O problema não foi com o balão
foi para cambar (mudar de posição) o balão. Na manobra, tivemos que arriá-lo (recolher)." Ou seja, quem apostou no balão, enfrentou dificuldades.
Enquanto os veleiros seguiam hoje rumo a Salvador, em meio a uma infinidade de peixes-voadores, o navio-escola português Sagres ainda não tinha saído de Cabo Verde - estava fundeado na Ilha de São Nicolau para comemorar um momento dúbio da viagem de Pedro álvares Cabral. Diz a versão oficial que sua esquadra foi direto de Lisboa até Porto Seguro. Mas há quem acredite que houve uma parada em São Nicolau para reabastecimento de água. Isso é inclusive, motivo de comemoração na ilha no dia 22 de março.


