Batalha pela abertura da Copa ainda parece longe do fim
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segunda-feira, 21 de março de 2011
Almir Leite <br> Agência Estado 
São Paulo - A cidade de São Paulo é a favorita para receber a abertura da Copa do Mundo de 2014. Tem a preferência, às vezes clara, noutras veladas, de autoridades políticas e esportivas. Como ainda não tem o principal, um estádio - nem ao menos a construção de um está em andamento -, dá fôlego às outras candidatas. Belo Horizonte, Brasília e Salvador acreditam estarem fortalecidas. Tocam as obras de suas arenas de acordo com o cronograma estabelecido e garantem que todas as outras ações de infraestrutura necessárias para habilitar uma cidade serão realizadas a tempo.
A Fifa protela a decisão, mas claramente espera por São Paulo, embora o presidente da entidade, Joseph Blatter, tenha dito recentemente que ''a escolha do local de abertura da Copa será técnica''. Difícil de acreditar, partindo de uma entidade que não raras vezes coloca o interesse político à frente do esportivo. Mas é na fala de Blatter que os concorrentes de São Paulo alimentam o desejo de ser agraciados na abertura.
''Vamos entregar à Fifa tudo que ela nos pediu e dentro do prazo adequado. Esperamos da Fifa o mesmo tratamento que vamos dar'', disse Sergio Barroso, secretário extraordinário da Copa do Mundo de Minas Gerais. Ele garante que o Mineirão, cujas obras entram na fase das fundações, será entregue em dezembro de 2012.
O Mineirão, por sinal, é um dos estádios com as obras mais avançadas, segundo especialistas em engenharia, assim como o Estádio Nacional (em Brasília, antigo Mané Garrincha) e a Fonte Nova (em Salvador).
Os baianos também confiam na fidelidade aos prazos e na efetividade da escolha técnica como alguns dos trunfos para vencer a concorrência pelo jogo de abertura. ''Estamos observando rigorosamente o calendário da Fifa'', afirma Ney Campello, secretário estadual para assuntos da Copa, que, precavido, alerta. ''Vamos respeitar a decisão (da Fifa). Só não pode existir regras diferentes.''
Salvador só vai aumentar a capacidade da Fonte Nova - de 50 para até 70 mil pessoas -, se for escolhida para a abertura ou uma semifinal. A ampliação será feita com arquibancadas modulares.
Brasília considera que está bem no páreo. ''Estamos praticamente refazendo o Mané Garrincha. Posso garantir que é um projeto mais bonito e mais completo. Teremos o estádio mais moderno do País'', assegura Cláudio Monteiro, chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz.
Atraso
Mas e São Paulo? A mais importante cidade do País, e a de melhor infraestrutura, a rigor ainda não tem estádio. Até agora, o Itaquerão não saiu do papel. Falta obter algumas licenças municipais e também definir como será o financiamento dos R$ 600 milhões que, estima-se, serão necessários para a construção da arena para 65 mil pessoas. Então, as obras finalmente começarão.
''Com todo respeito às outras cidades, e elas merecem, não vejo uma abertura de Copa no Brasil que não seja em São Paulo'', diz o secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude e integrante do Comitê Organizador do Estado, Jorge Pagura.
O ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., afirmou ontem que é importante iniciar as obras para a construção do estádio do Corinthians, em Itaquera, em abril. Caso esse cronograma não seja cumprido, segundo ele, há risco de criar ''algum tipo de embaraço''. ''A complementação do orçamento dessa arena de 65 mil lugares vai se dar a partir de uma modelagem que a Prefeitura de São Paulo estruturou explorando o potencial construtivo da região, que pode se tornar polo de desenvolvimento (...) O prazo disponível é suficiente, mas é preciso andar muito rápido'', disse.
De acordo com Silva, o prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin se comprometeram a viabilizar a modelagem.
A Prefeitura de São Paulo recorreu a um decreto municipal para desonerar os custos da construção da arena em Itaquera, orçada em cerca de R$ 600 milhões. Os investidores poderão se beneficiar de incentivos fiscais de 60% no Imposto sobre Serviços (ISS) e 50% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Além disso, a prefeitura dará aos investidores Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento, que podem ter um valor equivalente a 60% do total do investimento. (Com Folhapress)


