Batalha jurídica esquenta clima para clássico
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quinta-feira, 25 de maio de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A batalha envolvendo os dois clubes de futebol profissional da cidade sai dos tribunais e entra no gramado neste domingo. Pela primeira vez, Londrina e Grande Londrina se enfrentarão. O jogo será domingo, às 10h30, no VGD, e vale pela terceira rodada da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense.
A rivalidade entre o Tubarão e a Portuguesa já era grande, mas aumentou com a mudança de nome do clube da Vila Santa Terezinha, que motivou a criação de uma ''força-tarefa alviceleste'' de advogados para tentar barrar o novo nome. Várias piadas foram criadas envolvendo as duas equipes depois da mudança. Alguns até falam que será o confronto entre o pequeno e o grande Londrina, em virtude da má fase do Tubarão.
E, apesar desse clima de guerra entre as duas diretorias, ambas as partes descartam qualquer tipo de jogo quente, motivado pelo excesso de rivalidade. ''Não tem nada a ver isso. É coisa do campo para fora. A Portuguesa fez um time para subir e nós para revelar jogadores e vamos para o jogo, só'', disse o técnico alviceleste, João Paulo Reeberg, o Pinheiro, ignorando o novo nome do rival. ''Não conheço o Pinheiro, mas acredito que com ele não deve ter essa rivalidade. Há apenas um clima entre os diretores'', repetiu o discurso o técnico do Grande Londrina, Walber Martins, o folclórico Knário.
Para apimentar um pouco mais o jogo, dos dois lados existe uma legião de ex-funcionários dos rivais. No Grande Londrina, o diretor de futebol, Dorival Pagani, foi presidente do Tubarão, campeão estadual em 92, de onde é conselheiro vitalício. Será a primeira vez que ele enfrentará o Londrina. ''Para mim é uma situação normal. Essa mudança de nome que tumultuou. O Londrina tem sua torcida, seus títulos e ninguém vai apagar isso. Sou torcedor, fui presidente e minha história lá também não será apagada como querem'', disse Pagani, em tom magoado. ''Vou torcer para que no futuro tenha essa rivalidade, que vai ser bom para a cidade''.
Dentro de campo, pelo lado do Grande Londrina, vários jogadores que não tiveram tanta sorte com a camisa rival. ''É um jogo bom, de rivalidade, que todos se mobilizam e querem mostrar seus valores individuais e os do time. É uma oportunidade para mostrarmos que tínhamos condições de jogar no Londrina'', alfinetou o goleiro Nei, que se revezou no banco com Carlão, agora titular do Londrina, durante todo o Paranaense deste ano.
Outro que tem motivação extra é o zagueiro João Renato. Ele participou da campanha do rebaixamento na Série B do Campeonato Brasileiro em 2004. Na sua estréia, na goleada sofrida diante do Vila Nova-GO, quebrou o tornozelo direito e ficou seis meses encostado. Recentemente ganhou uma causa trabalhista contra o Londrina, que não mandou nenhum representante na audiência. ''Essa polêmica do nome esquentou ainda mais o jogo'', disse.
No Londrina, muitos jogadores começaram na antiga Portuguesa. ''É um gosto a mais por ser um dérbi e por ser contra um ex-clube. A questão do nome é problema das duas diretorias e os jogadores não têm que pensar nisso'', argumentou o atacante Montemor.


