São Paulo, 02 (AE) - Quem manda no São Paulo é José Augusto Bastos Neto, o homem que controla, há pouco mais de um ano e meio, o futebol no clube. Acostumado a tomar decisões rígidas, o presidente transformou sua gestão em bom exemplo de administração centralizadora, em meio a um cenário de diversas disputas políticas pelo poder. Sem a interferência de nenhum parceiro comercial, sua força aumentou e tende a intensificar-se até o fim de seu mandato, em abril, principalmente se a equipe for campeã nacional ou conquistar uma vaga para a Taça Libertadores da América.
"No São Paulo, vivemos um regime presidencialista e temos de acatar normas superiores", afirma o coordenador de Futebol, Rubens Minelli, cujas funções no clube são meramente burocráticas. Sempre que questionado sobre qualquer divergência interna, o dirigente garante que não pode dar sua opinião sem antes consultar Bastos Neto, como aconteceu na possível greve que os jogadores estavam arquitetando, há cerca de um mês, em defesa de Sandro Hiroshi.
Entre os atletas, a maioria também prefere não desafiar as ordens do chefe. Até o volante Jorginho, um dos líderes do grupo dentro e fora de campo, é cauteloso. Na quarta-feira, por exemplo, quando contava a jornalistas que a premiação em caso de vitória sobre o Corinthians já estava definida, Jorginho explicou que não havia impasse, pois o presidente tinha acertado o "bicho" antes do início do Campeonato Brasileiro. "Está tudo certo e, com o Bastos Neto, vocês sabem, é melhor não discutir", disse o jogador.
Na competição do ano passado, quando o São Paulo fez uma péssima campanha sob o comando do técnico Nelsinho Baptista, o presidente chegou a ir ao centro de treinamento, de terno e gravata, para ensinar os jogadores a cabecear uma bola. Depois, decidiu demitir o treinador e parte da comissão técnica, o que provocou a saída do então diretor de Futebol Manoel Poço. "O Bastos Neto é um cidadão extremamente autoritário", declarou Poço, na época.
O presidente, contudo, não se considera um "ditador". Segundo ele, seu trabalho é apenas defender os interesses do São Paulo. Para isso, planeja retardar a data de transformação do clube em empresa. O seu medo de perder o controle majoritário sobre o Departamento de Futebol explica a falta de pressa em definir um acordo com um parceiro comercial.
A estratégia é reforçada pelo presidente do Conselho Deliberativo, Milton José Neves, aliado do dirigente. "O importante é ter calma para acertar o melhor negócio para o São Paulo", ressaltou Neves. O prazo final determinado pela Lei Pelé para o processo de profissionalização dos clubes é em março de 2001. Para Bastos Neto, o São Paulo, por ter excelente patrimônio, não necessita de ajuda financeira de terceiros, de uma forma tão urgente.

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