Basquete (Ubiratan Maciel)
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de setembro de 1998
Qualidade do basquete de ontem e de hoje 
Esta é uma pergunta que se faz de boca em boca: o que houve com o basquetebol no Brasil? Houve muitas mudanças, que cada um avalia como acha melhor, mas, para entender, passamos a relatar alguns pontos que foram importantes nessa mudança.
1º - O atleta, antigamente, era essencialmente amador, não ganhava nada e, às vezes, quando muito, ganhava um premiozinho por conquistas. O jogador de antigamente trabalhava, estudava e jogava por puro prazer. A diferença variava de atleta para atleta: uns tinham talento, outros eram bons ou, às vezes, esforçados. Treinavam não porque era obrigatório, mas porque gostava. E muitos deles treinavam horas a mais para se aperfeiçoar. Havia grandes nomes, grandes talentos que conquistaram títulos mundiais e ótimas colocações em Olimpíadas.
2º - Hoje os atletas são estritamente profissionais, vivem exclusivamente do esporte; muitos não se preocupam em estudar e possuir um curso. Treinam o necessário, porque não têm a ambição de grandes conquistas. Se perdem, têm sempre a desculpa de que os salários estão atrasados. A maioria dos patrocinadores tem a preocupação com o resultado que a mídia vai trazer de retorno. Se o time for bom, trará; se não for, acabam com o patrocínio. Hoje os jogadores são verdadeiros ciganos. Jogam onde conseguem ganhar pelo menos um salário razoável, quando ainda conseguem ganhar algum. Treinar, só em dia de treinamento mesmo. Existem, claro, raríssimas exceções; por isso conseguem algum clube ou patrocinador.
Estamos carentes de nomes, de ídolos que façam a garotada ir à quadra para tentar imitá-los. Os colégios e os clubes - que foram as grandes fontes de formação e de incentivo - já não são mais os mesmos. Tudo mudou, não existe mais curso para formação de técnicos ou de especialização. Para dizer a verdade, acredito que não existam muitos interessados nisso.
Continuaremos a falar, nas próximas edições, sobre os problemas do basquete no País. A coluna está à disposição dos leitores que quiserem questionar algo ou tirar alguma dúvida. É só escrever para a Folha (Rua Piauí, 241, Caixa Postal 841, CEP 86010-909) ou para o endereço eletrônico do Jornal ([email protected]).
Mundial Interclubes
Começou domingo, em Londrina, o 7º Campeonato Mundial de Basquetebol Feminino de Clubes Campeões com a participação das equipes Havana Club (Cuba), Ruzomberok (Eslováquia), Paratinaikos (Grécia), Hermofarm (Iugoslávia), Banco Simeon (Espanha) e BCN/Osasco (Brasil). É o sétimo Mundial que se realiza no Brasil. A primeira disputa ocorreu em 1991, no ginásio do Corinthians, em São Paulo, e o título ficou com a equipe da Constecca/Sedox, de Sorocaba.
Desde então, o campeonato só não foi realizado em 1996. As equipes brasileiras ficaram com quatro dos seis títulos disputados. Esta é a primeira vez que o torneio é realizado fora de São Paulo. A prefeitura de Londrina trouxe esse evento para a cidade para divulgar ainda mais o basquete na cidade e região.


