A ex-jogadora da seleção brasileira de basquete, Hortência, está sendo esperada no Paraná a partir do próximo mês para dar início a uma nova fase, mais ambiciosa, de ampliação da modalidade no Estado, que deve atingir 7 mil jovens de 10 a 17 anos.
O esporte pode virar mania caso sejam concretizados os planos da Federação Paranaense de Basquetebol (FPRB), que vai triplicar, a partir deste ano, em parceria com a prefeitura de Curitiba e a Unimed (que deve renovar seu patrocínio) o número de núcleos do esporte de 10 para 30 espalhados pelo Interior.
O presidente da FPRB, Amarildo Rosa, viaja para São Paulo na próxima semana para um encontro com Hortência, onde serão definidos detalhes do projeto. Os valores da empreitada não são revelados, mas a garantia é de que, ao contrário da experiência com o Paraná Basquete (ver matéria nesta página) de 1999 a 2001, não haverá envolvimento de dinheiro público.
Naquela ocasião, o governo do Estado bancou com recursos públicos o time que chegou a conquistar um campeonato e um vice Nacional. As prefeituras envolvidas deverão colaborar com a logística (equipamentos públicos) e com profissionais da área esportiva.
A seguir, confira trechos de uma entrevista que Hortência concedeu com exclusividade para a Folha, em que ela fala do seu mais novo desafio, do carinho que tem pelo Estado e sobre a possibilidade, em um segundo momento, de surgir uma nova equipe para a disputa da Liga Nacional.
Como estão definidos os cronogramas de trabalho para a nova fase do projeto social?
Nós vamos definir agora as etapas que serão cumpridas no projeto. Estarei reunida com o Amarildo Rosa (presidente da FPRB) de 15 a 17 deste mês e vamos debater a melhor forma de colocar em prática esse trabalho com a base.
De que forma você pretende trabalhar com essas crianças dos núcleos. Teremos times para disputas de torneios?
Nossa idéia, e isso precisa ficar bem claro, é trabalhar justamente com as crianças que necessitam da prática esportiva. Temos um claro objetivo social de inclusão por meio do esporte. Esse trabalho será dirigido para isso e a prefeitura de Curitiba já iniciou. O desafio agora é levar adiante essa ideia para outras cidades, conversar com os prefeitos, com a iniciativa privada. O projeto é bom e acreditamos que isso será possível. Sobre a disputa de torneios, vamos avaliar as condições dos jovens, pois isso exige um trabalho de médio a longo prazo, mas teremos pessoas que poderão indicar os atletas que se destacarem e o Estado participar de alguma competição (seleções Sub-15 e Sub-17).
Qual o investimento necessário para manter um projeto dessa forma e para ter um time de alto rendimento?
Ainda não temos condições de falar em valores. Temos um estudo feito, mas tudo depende também do que poderemos conseguir junto às empresas. Não podemos revelar os valores pois estamos em fase de negociações, de contatos, e agora não é o melhor momento.
Existe a intenção de formar um time, ainda que originado dos núcleos?
Temos que nos preocupar primeiro em solidificar o projeto. Deixar ele bem claro para todos, o seu intuito social. A formação de uma equipe de ponta para a disputa de um campeonato nacional de clubes vai depender dos patrocínios, da captação de recursos. É bom deixar isso muito bem explicado, pois são coisas distintas.
A criação de uma equipe de ponta não seria fundamental para incentivar os jovens a jogarem nos núcleos?
É claro que se tivermos jogadoras de seleção, um time que disputa campeonatos, isso será importante para ganharmos mais atletas, jovens nos núcleos do estado. Mas volto a lembrar, isso pode ser uma segunda etapa, quando estivermos com o projeto bem estruturado no Interior.
Como você avalia esse retorno ao Paraná? Você tem uma boa perspectiva nessa segunda passagem?
Eu tenho uma relação muito boa com o Paraná. A primeira experiência foi boa e existe um potencial esportivo muito grande para ser trabalhado. Creio que agora, com esse trabalho social, teremos mais uma oportunidade de destacar o Estado, em um trabalho que não é comum no país. Com relação à perspectiva, estou animada com essa possibilidade de crescimento do basquete no Paraná. Temos que incentivar cada vez mais essas práticas.
Quem irá coordenar os trabalhos nos núcleos. Como será feito esse trabalho?
Não vamos nos preocupar apenas na quantidade de crianças. Queremos que o trabalho seja feito de forma séria. Teremos uma grande capacitação de professores, qualificação. Vamos ver quem já trabalha com o basquete em suas escolas ou academias e criar um bom grupo de profissionais para executar esse trabalho.

mockup