Basquete


Oscar Schimidt




Incerteza da vitória
até o último jogo é a
grande beleza do basquete
A poucos jogos do final do playoff ainda existe a incerteza sobre quem será classificado. Por enquanto vem dando a lógica, mas o bonito do basquete é que depois de disputar um campeonato inteiro coloca-se tudo em jogo novamente. E, algumas vezes, o time que dominou o campeonato é eliminado nessa disputa. É isso que faz a beleza dos playoffs, essa incerteza do começo ao fim do torneio.
O nosso time, o Mackenzie, que liderou o campeonato inteiro, terminando a primeira fase com 50 pontos e apenas duas derrotas perdeu o primeiro jogo em Londrina mas conseguiu duas vitórias em São Paulo. Voltamos a Londrina para uma partida decisiva. E vamos fazer tudo pra vencer.
O último jogo terminou com uma cesta fantástica do Robin Davis, um jogador que eu tenho o maior orgulho de ter como companheiro de time. É o nosso Michael Jordan e mostrou a coragem de um campeão na hora de lançar aquela bola.
O Londrina tem muitos méritos, mas joga sempre no limite da falta e tem que pagar por isso. Falta é falta e tem que ser marcada. Os números confirmam isso: nos três jogos que já disputamos o Londrina cometeu 87 faltas, contra 69 do nosso time.
Portanto, vai ser novamente uma disputa das mais emocionantes.
Recorde de pontos
No jogo de terça-feira contra o Londrina cheguei aos 1.124 pontos, recorde de pontos no campeonato nacional. Fico orgulhoso mas sei que fazer pontos é uma consequência de uma vida inteira de muito treino.
Treinar muitos arremessos foi um hábito de sempre na minha vida. Costumava ficar muito mais tempo treinando, chegava antes de todos e arremessava antes e depois dos treinos, antes e depois dos jogos provando todos os tipos de arremessos. Fazer muitas cestas foi só uma consequência natural desse esforço.
Minha grande companheira nessa maratona de toda a minha vida de atleta sempre foi a Cris, minha esposa, que desde quando era minha namorada treinava comigo passando a bola pra eu arremessar.
Uma coisa que meu pai sempre dizia, mesmo sem entender de basquete, é que eu deveria fazer cesta de um lugar que ninguém faz. Esse conselho eu não esqueci.
Quando a seleção brasileira foi fazer uns jogos na Argentina de preparação para a Olimpíada de Atlanta perdemos os dois primeiros jogos e a minha frustração foi muito grande por ter jogado tão mal. O segundo jogo perdemos por 20 pontos.
No final desta partida chamei o Carlão, assistente técnico da seleção, e comecei a arremessar. No começo ficou todo mundo em volta da quadra olhando mas aquilo era monótono para assistir e aos poucos o ginásio foi se esvaziando. Depois de uma hora estávamos eu, o Carlão e o técnico Ary Vidal sentado lá longe olhando. E só uma luzinha fraca acesa. Quando nós três chegamos ao hotel todos já tinham jantado.
E durante toda a preparação eu fazia uns quinhentos arremessos depois de cada jogo, de cada treino. Mesmo morrendo de cansaço nunca deixei de fazer os arremessos, até a Olimpíada. Com o Carlão passando a bola.
Acreditava na repetição, em treinar sem limites. Chute parado, pulando, saltando para a frente, saltando para trás, com drible para a direita, drible para a esquerda, sem drible, com giro dorsal para um lado e outro, com finta. Provar todas as opções sozinho. Isso eu sempre fiz e aos 41 anos, ao superar a marca de 42 mil pontos estou recebendo os frutos.
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