Basquete masculino conquista o tricampeonato
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domingo, 29 de julho de 2007
Glenda Carqueijo<br> Agência Estado 
Rio - Com folga no placar, o Brasil conquistou ontem o tricampeonato pan-americano no basquete masculino. Na decisão da medalha de ouro, derrotou Porto Rico por 86 a 65, somando a quinta vitória nos cincos jogos disputados no Pan do Rio. Mas os brasileiros não terão muito tempo para comemorar o título, porque no fim de agosto buscam a sonhada vaga olímpica, no Pré-Olímpico de Las Vegas, nos Estados Unidos.
A seleção brasileira vai se apresentar no dia 3 de agosto, no Rio ou São Paulo. E terá sua força máxima, com estrelas que atuam na NBA e na Europa, que não disputaram o Pan, em razão de férias ou por problemas de contusão. No dia 14, o grupo do técnico Lula Ferreira embarca para Porto Rico, onde fará três jogos amistosos. E no dia 22, o Brasil estréia no Pré-Olímpico contra o Canadá.
A partida de ontem teve um gosto especial para o ala/armador Marcelinho Machado, único brasileiro a ser tricampeão pan-americano em esportes coletivos. Para coroar a marca histórica, ele conseguiu 17 pontos, cinco assistências e sete rebotes na final.
''É uma emoção diferente. Na hora do jogo estava muito concentrado, não conseguia ouvir ninguém. Mas na hora do hino, o coração bateu mais forte. Fico feliz por ter alcançado o tricampeonato e fazer parte de três grupos diferentes'', afirmou Marcelinho, que defendeu a seleção nos títulos em Winnipeg/99 e Santo Domingo/2003.
Apesar de ter três títulos consecutivos no Pan, Marcelinho nunca foi a uma Olimpíada. Por isso mesmo, a vaga olímpica é seu maior objetivo. Em Pequim, o jogador de 32 anos pretende encerrar sua carreira com a camisa da seleção. Nas três edições do Pan, ele somou 189 pontos em 14 jogos disputados.
Da equipe renovada que disputou o Pan do Rio, o pivô João Paulo Batista foi uma das revelações brasileiras. O pernambucano de 25 anos foi o cestinha da partida decisiva, com 20 pontos, e ainda contribuiu com sete rebotes.
João Paulo saiu de Recife ainda moleque, onde começou a jogar no Náutico, para ganhar o mundo com o basquete. ''Eu tive de lutar muito, correr atrás. Fui para São Paulo fazer testes nos clubes. Tive de sacrificar minha vida para conseguir chegar aqui'', lembrou o jogador, que hoje defende o Lietuvos Rytas, também da Lituânia. Antes disso, no entanto, ele fez o caminho de muitos brasileiros, jogando em colégios e universidade nos Estados Unidos.
''É a primeira vez que o Joaõ Paulo está no grupo, mas parece que está no time há dez anos. É um jogador sábio e eficiente. Talvez para a torcida ele não apareça muito, mas é aquele jogador que chamamos de 'saneamento básico'. Não aparece, mas é importante'', disse o técnico Lula Ferreira.
Sobre a campanha no Pan, Lula disse que os jogadores ''entenderam a grandeza do objetivo que é o Pré-Olímpico'' e sabiam que teriam de passar pelo Pan sem o condicionamento físico ideal, o que só deve acontecer na competição em Las Vegas.
Quanto ao grupo de 18 jogadores que fará parte da preparação para o Pré-Olímpico de Las Vegas, Lula admitiu que alguns deles, como os da NBA e da Europa, estão em um estágio mais avançado que os novatos. Mas disse que a presença dos garotos, como o pivô Paulão - aos 19 anos, foi cestinha e melhor reboteiro do Mundial Sub-19, na Sérvia -, e de talentos, como o ala Marcus - tem 20 anos e joga na Espanha há três anos e meio -, são importantes para a seleção. ''Não estou olhando para nome ou rótulo, mas pensando como eles podem contribuir para seleção. Tenho de olhar sempre pelo lado técnico'', avisou Lula Ferreira.


