São Paulo, 04 (AE) - São 23 jovens, com idade entre 14 e 15 anos e um sonho: participar da primeira excursão internacional como jogador de basquete. O grupo, formado por jogadores de times paulistas, está no Clube Monte Líbano desde hoje e treinará durante 20 dias. Somente 12 viajarão para Rivera, no Uruguai, para disputar o 10.º Troféu Almirante Paulo Martins Meira, de 27 de março a 2 de abril. Já disputaram essa competição jogadores como Demétrius, Josuel e Paulinho Villas Boas.
O troféu é realizado há 22 anos, em revezamento - um ano no Brasil e outro no Uruguai. Oito equipes participarão do evento. Além da seleção paulista, que treina no Monte Líbano, também jogam equipes do Rio, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Completam o grupo dois time uruguaios, um argentino e um chileno. "A competição foi criada depois que os organizadores constataram que não havia evento para atletas de 15 anos", disse o chefe da delegação, Braz Haro.
No grupo de atletas empolgados com o novo trabalho está o lateral Rafael Barros, do Bochofilo, cestinha do Campeonato Paulista mirim de 1998. Para o jogador, a competição pode ajudá-lo a atingir seu objetivo de ser profissional. Rafael, que joga há cinco anos, sonha em atuar no exterior. "Mas, antes, preciso trabalhar e conseguir a vaga na equipe que vai ao Uruguai."
O lateral do Luso Luiz Felipe Salmen e o pivô do Pinheiros Henrique Stricker sabem que o título de melhores mirins do ano passado não vai garantir vaga. "A ansiedade é muito grande, e meu principal objetivo é não ser cortado", diz Henrique, que joga há sete anos. Agora, o pivô busca seguir carreira profissional e realizar o sonho de chegar à seleção brasileira.
Luiz Felipe foge do perfil dos colegas. "Comecei a jogar em 1997, por insistência dos meus amigos de Bauru e da minha técnica no mirim, Simone Magalhães." A dificuldade, segundo ele
é conciliar esporte e estudos. "Mas está quase certo: em um ou dois anos, vou morar nos Estados Unidos, onde é mais fácil estudar e jogar."
Uma das curiosidades da equipe são os ídolos desta nova geração, também jovens profissionais. "Gosto do lateral Caio Cassiolato", diz Rafael. "Para mim, é um exemplo de jogador completo." Para Henrique, a referência é o pivô Guilherme. "Ele trabalha muito, é humilde e, na minha opinião, será o sucessor do Oscar."
O técnico do grupo é Ricardo Francisco, o Patinhas, que já deixou claros os critérios para a escolha dos 12 que viajarão. "Garra, dedicação, disciplina tática, mais condição física e psicológica." A delegação brasileira quer reverter a derrota na decisão do ano passado para os argentinos.Os treinos começaram ontem, em ritmo forte. Querendo mostrar serviço, os jogadores já "ganharam" os primeiros cortes e hematomas. Tudo, para eles, é válido para garantir uma vaga entre os 12.

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