Basquete Formador leva esporte a carentes
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segunda-feira, 12 de maio de 2008
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Transmitir para as novas gerações os conhecimentos que adquiriu na carreira de jogador. Com esta idéia, o estudante de Educação Física Marco Aurélio Orasmo criou o projeto Basquete Formador, que ensina os fundamentos do esporte a 238 crianças e jovens de comunidades carentes de Curitiba e São José dos Pinhais (Região Metropolitana).
Anos após deixar as quadras - jogou no Monte Líbano, Sírio Libanês e Corinthians, na capital paulista -, Orasmo decidiu fechar sua empresa de comunicação visual e eventos para voltar ao convívio diário com o esporte, algo que sempre o motivou. ''Eu tinha esta idéia de desenvolver um projeto social utilizando o esporte, mas faltava a oportunidade. Então resolvi fechar a empresa e entrar no curso de Educação Física para obter o provisionamento de treinador'', explica.
A partir desta escolha, o futuro técnico reuniu alguns antigos colegas para desenvolver uma metodologia própria para o projeto a ser desenvolvido. ''Eu e os professores Xexéu (Carlos Schneider) e Milico (Emerson Venturini) criamos o Basket System, que além de formar atletas, os incentiva a continuar estudando. Também buscamos o envolvimento dos pais no acompanhamento das atividades e a formação dos alunos como pessoas mais éticas e comprometidas'', complementa.
Atualmente, o Basquete Formador conta com dois centros de excelência já implantados. Um em São José dos Pinhais, com 110 alunos, e outro em Curitiba, com 128 participantes, todos com idade entre 10 e 17 anos. Este último funciona na Unibrasil, universidade em que Orasmo estuda e que colabora com o projeto cedendo o espaço físico para as aulas e desenvolvendo atividades paralelas. ''Na universidade contamos com auxílio pedagógico, de serviço social e fisioterapia. Os acadêmicos farão ainda um levantamento sócio-econômico dos alunos para depois desenvolver um trabalho de nutrição'', explica.
Nos próximos meses deve ser criado mais um núcleo do projeto em Colombo, também na Região Metropolitana de Curitiba, mas a idéia é implantar outros centros, com capacidade para 100 alunos, em cidades como Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu, atingindo a meta de dez núcleos funcionando até 2010.
Para isso, Orasmo conta com apoio de empresas, que bancam os custos de cada núcleo, estimados em R$ 4,7 mil anuais. ''Por isso criamos Associação dos Amigos para Evolução do Basquete (Aapebas) para gerenciar o projeto'', conclui, destacando que a iniciativa já conta com o apoio do Grupo Servopa, da Paraná Equipamentos e da Construtora Triunfo.
Apesar de funcionar há menos de dois meses, os primeiros resultados do Basquete Formador podem ser percebidos no desenvolvimento dos alunos. Gabriel Carvalho de Lara, 13 anos, não esconde a satisfação com as aulas. ''Eu queria emagrecer e já tinha feito futsal e handebol, mas não gostei. Do basquete eu gosto e já estou jogando bem'', garante o pivô.
Menos modesto é Bruno Diego dos Santos, 15 anos, que já jogava basquete de rua (disputado por trios e com regras mais flexíveis). ''Antes eu só queria humilhar o adversário e fazer a cesta. Agora aprendi sobre as posições dos jogadores e as táticas'', resume o ala-armador, lembrando que precisa ir bem na escola para continuar no projeto: ''se tirar nota baixa, vem bronca''.


