Basquete brasileiro inicia nova etapa com a NBB
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Amanda Romanelli<br>Agência Estado 
São Paulo - Depois de anos de discordâncias e rompimentos, os clubes e a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) mostram ao público, a partir de hoje, o resultado da anunciada trégua entre ambas as partes. Sete jogos inauguram o Novo Basquete Brasil (NBB), o rebatizado Campeonato Nacional Masculino de Basquete, pela primeira vez administrado por uma liga independente com a chancela da entidade máxima da modalidade.
A inédita atuação dos clubes na gerência de um torneio nacional, através da recém-criada Liga Nacional de Basquete (LNB), promete ser atrativo à parte, ao menos no que diz respeito aos bastidores do esporte. Enquanto isso, a CBB será responsável apenas pela arbitragem, pelo registro de jogadores e pelo fornecimento do material esportivo.
No campo de jogo, três jogadores recentemente repatriados podem fazer a diferença: o ala/armador Alex Garcia e os pivôs Murilo e Rafael Baby Araújo, destaques respectivamente de Universo/BRB/Financeira Brasília, Pitágoras/Minas e Flamengo/Petrobrás - este último é o atual campeão brasileiro. Todos ansiosos em testemunhar o prometido renascimento do basquete nacional.
''É muito gostoso acompanhar essa mudança de perto e pensar no que pode acontecer'', diz Alex Garcia, campeão pelo time do Distrito Federal no torneio de 2006/2007 e com passagens pela NBA. ''Estou feliz em ter voltado'', conta o jogador, que tem contrato com o Maccabi Tel Aviv, de Israel, até 2011, mas preferiu voltar ao Brasil por causa da família. ''Espero que esse seja um ano importante para o basquete.''
Murilo também espera que o NBB possa marcar, de fato, uma mudança de rumos na modalidade. O pivô gaúcho jogava por Franca, em 2006, quando o Nacional daquele ano não terminou por problemas judiciais. Nenhum time foi declarado campeão. ''Meu último campeonato não teve final. Fica uma frustração'', lembra o jogador, que deixou o País para atuar na Bulgária e, depois, no mesmo time de Alex Garcia em Israel. ''Acho que agora vamos participar de um reinício, de uma melhora no basquete.''
O Campeonato Nacional de 2005/2006 tornou-se um marco na cisão que tomou conta do basquete brasileiro nas últimas temporadas. Uma guerra de liminares impediu que a disputa acabasse. Além disso, a competição oficial, da CBB, teve um concorrente: o torneio da Nossa Liga, organizado pelo ex-jogador Oscar Schmidt e vencido pelo Winner/Limeira, atual campeão paulista.
No ano passado, houve mais confusão. Oito clubes paulistas decidiram não participar do campeonato da CBB e formaram outra liga - a Associação de Clubes de Basquete -, para organizar a disputa da Supercopa. Assim, diante de tantos problemas, veio a trégua, possibilitando a criação da NBB.
Agora, no retorno à normalidade, o Nacional da retomada terá uma fórmula simples, com 15 equipes jogando em turno (até 20 de março) e returno (até 13 de maio). Os oito melhores seguem para os playoffs, que começam no dia 17 de maio. E a última data da decisão está marcada para 16 de junho.
Ainda assim, o novo basquete brasileiro convive com seus velhos problemas estruturais. Que o diga o pivô Rafael Baby Araújo, também com passagem pela NBA, que estreou no Flamengo há menos de duas semanas e já enfrentou uma ameaça de greve. O clube carioca, enfrentando uma série crise econômica, sequer pagou o prêmio da conquista do título brasileiro de 2008. Os jogadores chegaram a dizer que não entrariam em quadra hoje, mas voltaram atrás, acreditando na promessa flamenguista de que os débitos seriam quitados.


