Barros terá moto de ponta para correr GP do Brasil
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quarta-feira, 29 de julho de 1998
José Emílio Aguiar Agência Estado 
Alexandre Barros disputará pela primeira vez o GP do Brasil com uma moto igual à dos pilotos de ponta. Ele testará de hoje até domingo, na pista de Jacarepaguá, a Honda NSR 500 V4, a mesma usada pelo líder do campeonato Michael Doohan. A equipe Gresini gastou US$ 150 mil para vir ao Rio com duas toneladas de equipamento, especialmente para preparar a moto e dar vantagem a Alexandre na corrida, dia 18 de outubro. Barros deu uma guinada na carreira este ano. Depois de muita insistência, conseguiu apoio da Honda para ter a moto de 4 cilindros, 50 cavalos mais potente que o modelo que usava até 97, com motor bicilíndrico. Enfrentou problemas mecânicos e de adaptação à nova moto na primeiras provas, mas disputou a liderança nas três últimas etapas, na Holanda, Inglaterra e Alemanha. Obteve dois quartos lugares, um quinto e pulou para a sexta posição no campeonato.
Meu objetivo número um é vencer no Brasil, afirmou. Ele estará completando 28 anos no dia da corrida. Mais do que um presente de aniversário, será a realização de um sonho, lembrou.
Barros ganhou financiamento da Prefeitura do Rio e será o único piloto a testar no circuito de Jacarepaguá. Ele aproveitará para acertar a suspensão da moto para as ondulações do circuito e para desgastar menos os pneus. Técnicos da Michelin estão no Rio para decidir o melhor pneu a usar no asfalto carioca.
Com a nova moto, Barros tentou mudar um pouco o estilo de frear mais dentro das curvas, porque a NSR 500 V4 tem desgaste excessivo dos pneus dianteiros. Frequentemente, o brasileiro largava na frente e perdia posições à medida que o consumo dos pneus aumentava. Não dá para mudar totalmente a minha pilotagem, porque é um dom natural, mas estou aprendendo a adaptar a moto para o meu estilo, contou.
Para Barros, a temporada das 500cc é a mais equilibrada dos últimos anos. Doze pilotos andam no mesmo segundo e a Honda e a Michelin ganharam a concorrência da Yamaha e da Dunlop. Barros tem sido sempre um dos seis mais rápidos, ao lado do australiano Doohan, do italiano Max Biaggi, do neozelandês Simon Crafar e dos espanhóis Alex Crivillé e Carlos Checa - que teve ruptura do baço em Donington e não corre até o fim do ano.


