Barrichello vira foco das atenções
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sexta-feira, 27 de março de 2009
Tatiana Cunha<br> Folhapress 
Piloto mais experiente em atividade na F-1, o brasileiro tem chances reais de vencer GP da Austrália, que abre temporada
Melbourne, Austrália - Desde 2005 Rubens Barrichello não via tantos jornalistas estrangeiros seguindo seus passos. Nem o pódio em Silverstone, no ano passado, seu primeiro desde que deixou a Ferrari, atraiu tanta atenção.
A justificativa é simples. O piloto começou suas últimas 58 provas sem ter chances reais de lutar pelas primeiras colocações, em condições normais de corrida. Durante este período, correu pela claudicante Honda.
Agora, após a equipe ter sido adquirida por Ross Brawn, batizada Brawn GP e surpreendido a categoria por seu bom desempenho mesmo com tão pouco tempo na pista, o veterano acredita que na Austrália - a largada para a primeira prova do ano será na madrugada de domingo, a partir das 3 horas -, finalmente, poderá voltar a andar no pelotão da frente.
''Não estranho tanta gente porque sei que na F-1 é assim mesmo, em um dia você é conhecido, no outro te esquecem'', disse Barrichello, que teve de se revezar com seu companheiro de time, Jenson Button, para satisfazer a imprensa.
Mais experiente piloto do grid, com 268 corridas na bagagem e que dá início à sua 17 temporada, o brasileiro insiste que esta é a melhor chance de sua carreira para lutar pelo título da F-1 - apesar de ter passado seis anos na Ferrari, onde conquistou suas nove vitórias. ''Esta realmente é uma chance de ouro. Não tenho medo do futuro e acho que difícil mesmo é andar lá atrás'', afirmou.
Nem a polêmica sobre os difusores usados pela Brawn GP o desanima. Ele diz que, mesmo que um eventual bom resultado na madrugada de domingo fique sub judice por causa do protesto das equipes rivais pela suposta irregularidade, é hora de aproveitar o momento. ''A gente que é de equipe pequena, com orçamento apertado, sabe que vale muito a pena andar forte nas primeiras corridas'', declarou. ''Porque as grandes têm uma capacidade muito maior de evoluir seus carros durante a temporada do que a gente'', completou ele.
Sorridente em seu novo uniforme, ainda quase sem nenhum patrocinador, Barrichello diz ter redescoberto a beleza de correr por uma equipe independente, não bancada por uma grande montadora. ''É legal ver uma F-1 moderna, preparada para essas coisas, como um carro quase em branco se destacando. Há pouco tempo uma equipe como a Brawn GP não sobreviveria''.
Nos treinos livres de ontem, Barrichello ficou com o segundo melhor tempo, atrás apenas da Willians, do alemão Nico Rosberg.
Os outros dois brasileiros na categoria devem ter problemas nesse início de temporada. Felipe Massa, atual vice-campeão, ficou apenas em 11º no tempo agregado com sua Ferrari. Nelsinho Piquet foi ainda pior com a Renault: 19º e penúltimo colocado.


