Paris - Depois de se colocar em uma situação embaraçosa, ao deixar domingo o autódromo de Magny-Cours, quando seu companheiro de Ferrari, Michael Schumacher, poderia ser campeão na prova, Rubens Barrichello tentou explicar ontem no site da equipe os motivos da sua decisão polêmica. ''Tive um dia muito difícil e não havia mais nada a fazer no circuito. Minha irmã estava comigo e decidimos ir embora. A equipe disse que eu poderia sair.''
Barrichello ficou parado no grid do GP da França por causa da quebra de um sensor e nem mesmo largou. ''Um dia depois eu ainda estava bastante chateado com o que aconteceu'', explicou. ''Quando você pensa que está tudo sob controle e não está é muito duro.''
Havia um bom tempo que o piloto não abandonava o autódromo antes do vencedor receber a bandeirada. ''Penso que uns cinco anos.'' Ele comentou que embora estivesse de mau humor, domingo, tudo mudou quando retornou ao circuito, ao ser avisado de que Schumacher conquistara o título.
''Michael é um verdadeiro campeão e merece.'' As seis etapas restantes do Mundial podem mesmo ser mais fáceis para a Ferrari. ''O fato de Michael ter sido campeão tão cedo vai tirar pressão da equipe. Agora podemos lutar juntos pelo Campeonato de Construtores.'' A Ferrari está em primeiro, com 128 pontos, diante de 66 da Williams, segunda colocada, e 47 da McLaren, terceira.
O site português Forix, um dos mais completos em dados estatísticos da Fórmula 1, comparou ontem o número de vezes em que Schumacher e Barrichello foram obrigados a retirar-se das provas, por quebras do equipamento. O alemão estreou na escuderia italiana em 1996 e já participou de 104 corridas. Em apenas 13, ou 12,5%, não recebeu a bandeirada por problemas no carro. Já Barrichello, que começou a competir pela Ferrari em 2000, se apresentou para largar 45 vezes, incluindo o GP da França, em que não saiu do grid. Desse total, em oito não concluiu a prova ou mesmo sequer largou, como este ano na Espanha e domingo, em Magny-Cours. Isso corresponde a 17,77%. Estatisticamente, divulga o site, a Ferrari de Barrichello quebrou 42,13% a mais que a de Schumacher.
Senna Nem mesmo a galeria de recordes exibida por Michael Schumacher, que culminaram no quinto título mundial conquistado no último domingo, convenceram a imprensa espanhola. Em uma enquete realizada entre os meios de comunicação do país, o brasileiro Ayrton Senna ainda é considerado o melhor de todos os tempos.
Os jornalistas levaram em consideração cinco quesitos: genialidade, condução em pista molhada, atuação em classificações, tática de corrida e forma física. Senna levou a melhor nos três primeiros, o que acabou valendo a ele o título de melhor piloto da história.
Pelos critérios, Schumacher ficou em segundo, apenas três pontos atrás do brasileiro. Ele foi o mais regular, conseguindo altas pontuações em todos os quesitos, e acabou sendo considerado o piloto mais completo. O argentino Juan Manuel Fangio, também pentacampeão do mundo, foi o terceiro.

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