Montreal, 13 (AE) - Rubens Barrichello, da Stewart, e Jean Alesi, Sauber, estavam fechados na questão: pedir uma punição para o italiano Jarno Trulli, da Prost. "É bom eu me acalmar ante de falar besteira", disse o brasileiro, ainda no início da corrida, nos boxes de sua equipe. Trulli atrasou demais a freagem na primeira curva, depois da largada, atravessou a pista e atingiu a Stewart de Barrichello e a Sauber de Alesi, tirando os três do GP do Canadá.
"Ele tem de ser punido, não pode escapar dessa", falou bastante irritado Alesi, que foi conversar com seu amigo, Alain Prost, para quem Trulli pilota. Mesmo com o carro todo remendado e desalinhado por causa da batida, eu ainda conseguia manter bom ritmo, a ponto de realizar algumas ultrapassagens", disse Barrichello.
Ele teve de parar, porém, na 14ª volta, com problemas nos freios e no sistema de direção, quando estava uma volta atrás dos demais, por ter permanecido nos boxes, reparando parte dos estragos feitos por Trulli. "Foi um pena, nós estávamos na frente de todo esse pessoal que acabou em segundo, terceiro..."
lembrou o piloto da Stewart.
"Mais um pódio que deixamos escapar, ainda que desta vez a culpa não foi da equipe." Alesi se referiu a Trulli como "um louco". Mais calmo, analisou o ocorrido: "No passado, não havia regras de conduta na pista e os pilotos podiam até fazer zigue-zague que não eram punidos", contou. "Mas agora existe uma comissão que julga especificamente esses casos, acho que é hora de realmente essa gente impôr alguma sentença a certos pilotos."
No começo da noite já, Barrichello e Alesi receberam uma notícia que os desagradou ainda mais: a direção de prova julgou o acidente da largada e isentou Trulli de responsabilidade. O italiano comentou seu envolvimento: "O Frentzen largou muito mal, na minha frente, e quando chegou na primeira curva, freou antes do normal", falou. "Para não bater na sua traseira, freei também forte e desviei, mas minha Prost já estava sem controle." O italiano pediu desculpas a Barrichello e Alesi pelo ocorrido.
A corrida de Ricardo Zonta durou pouco, menos de duas voltas. No mesmo muro onde bateram Damon Hill (14ª volta), Michael Schumacher (30ª) e Jacques Villeneuve (34ª), na entrada da reta dos boxes, Zonta deixou sua marca. "Não sei o que aconteceu, se um pneu furou ou mesmo errei", disse.
"O Safety Car saiu da pista e ao acelerar na saída da segunda perna da chicane a traseira da minha BAR projetou-se, de repente, para fora." Bastante chateado, já que a prova marcava o seu retorno à Fórmula 1, depois de quatro GPs de fora, em razão do acidente de Interlagos, o piloto de Curitiba comentou: "Se é que pode ser um consolo, bati no mesmo muro onde três campeões do mundo se acidentaram também."
Se a batida entre Trulli, Barrichello e Alesi não gerou preocupações com a segurança dos pilotos, a do alemão Heinz-Harald Frentzen exigiu a presença do médico da Fórmula 1, Sid Watkins, na pista. A três voltas do final, na 66ª passagem, Frentzen era o segundo colocado com sua Jordan. Giancarlo Fisichella, da Benetton, estava um segundo atrás, tentando reconquistar a posição perdida para ele na 43ª volta.
Na freada da curva 3, a Jordan do alemão soltou enorme quantidade de pó negro pela roda direita dianteira e seguiu sem controle. O disco de freio, confeccionado em fibra de carbono, rompeu-se, fazendo com que o sistema atuasse apenas na roda esquerda, o que provocou a violenta derrapagem. O impacto na barreira de pneus foi violento. Frentzen teve de ser levado para um hospital de Montreal de helicóptero.
À noite chegou a informação no autódromo de que exames realizados sob o controle do doutor Sid Watkins não registraram nenhuma fratura, apesar das contusões múltiplas na perna esquerda e ombro direito. "Não há razão para que ele não participe de outra corrida de Fórmula 1 dentro de 15 dias", afirmou o médico.

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